Alpes Literários

Alpes Literários

Subtítulo

UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

terça-feira, 23 de junho de 2026

Louise Bogan - Homens de Todo Amados para Além da Sabedoria

Bogan voga nas complexidades emocionais do amor, notadamente a partir de uma perspectiva feminina, justapondo a paixão imprudente dos homens à sabedoria pragmática das mulheres ao enfatizar a necessidade de se ter cautela e a sensatez em se atenuar o que há de mais abrasador nesse sentimento – sem incursões, por conseguinte, em suas formas imponderadas, absolutas ou sem reservas.

 

O amor excessivo deferido aos homens pelas mulheres, diz a poetisa, dá-lhes base ou suporte – o “bastão” –, mas não meta – o “estandarte” –, nenhuma direção clara, nenhum pendão próprio a erguer mais alto: a alvitrada “sabedoria”, então, se define como a capacidade de “nunca amar dessa maneira” – de modo a se evitar tanto o amor cego e abnegado dirigido à figura masculina, quanto, implicitamente, o desencadear de um fogo obrigacional nos outros, tanto mais por não se tratar de uma livre escolha, senão de uma resposta forçada a um móbil avassalador e temerário.

 

Outra imagem empregada por Bogan a esse aventado agir prudente é a da assunção de uma quietude fria, radical e perscrutadora, quase fúnebre, mescla palpável de um amor que não se deixa arder descontroladamente e de uma paixão que não se elimina, mas que resta atenuada pela força granítica da razão.

 

J.A.R. – H.C.

 

Louise Bogan

(1897-1970)

 

Men Loved Wholly Beyond Wisdom

 

Men loved wholly beyond wisdom

Have the staff without the banner.

Like a fire in a dry thicket

Rising within women’s eyes

Is the love men must return.

Heart, so subtle now, and trembling,

What a marvel to be wise,

To love never in this manner!

To be quiet in the fern

Like a thing gone dead and still,

Listening to the prisoned cricket

Shake its terrible, dissembling

Music in the granite hill.


A lição do amor

(Antoine Watteau: pintor francês)

 

Homens de Todo Amados para Além da Sabedoria

 

Homens de todo amados para além da sabedoria

Têm o bastão, mas não o estandarte.

Qual fogo em moita seca

A irromper dentro dos olhos das mulheres,

É o amor que os homens devem retribuir.

Coração, tão sutil agora, e trêmulo,

Que maravilha é ser sábio,

Para nunca amar dessa maneira!

Para estar quieto sobre uma samambaia

Como coisa morta e imóvel,

Ouvindo o grilo aprisionado

Chacoalhar a sua terrível, dissimulada

Música na colina de granito.

 

Referência:

 

BOGAN, Louise. Men loved wholly beyond wisdom. In: __________. Body of this death: poems. New York, NY: Robert M. McBride & Co., 1923. p. 20.

Nenhum comentário:

Postar um comentário