Bogan voga nas complexidades
emocionais do amor, notadamente a partir de uma perspectiva feminina, justapondo
a paixão imprudente dos homens à sabedoria pragmática das mulheres ao enfatizar
a necessidade de se ter cautela e a sensatez em se atenuar o que há de mais abrasador
nesse sentimento – sem incursões, por conseguinte, em suas formas imponderadas,
absolutas ou sem reservas.
O amor excessivo
deferido aos homens pelas mulheres, diz a poetisa, dá-lhes base ou suporte – o “bastão”
–, mas não meta – o “estandarte” –, nenhuma direção clara, nenhum pendão
próprio a erguer mais alto: a alvitrada “sabedoria”, então, se define como a
capacidade de “nunca amar dessa maneira” – de modo a se evitar tanto o amor
cego e abnegado dirigido à figura masculina, quanto, implicitamente, o desencadear
de um fogo obrigacional nos outros, tanto mais por não se tratar de uma livre
escolha, senão de uma resposta forçada a um móbil avassalador e temerário.
Outra imagem empregada
por Bogan a esse aventado agir prudente é a da assunção de uma quietude fria,
radical e perscrutadora, quase fúnebre, mescla palpável de um amor que não se
deixa arder descontroladamente e de uma paixão que não se elimina, mas que
resta atenuada pela força granítica da razão.
J.A.R. – H.C.
(1897-1970)
Men Loved Wholly Beyond Wisdom
Men loved wholly beyond wisdom
Have the staff without the banner.
Like a fire in a dry thicket
Rising within women’s eyes
Is the love men must return.
Heart, so subtle now, and trembling,
What a marvel to be wise,
To love never in this manner!
To be quiet in the fern
Like a thing gone dead and still,
Listening to the prisoned cricket
Shake its terrible, dissembling
Music in the granite hill.
A lição do amor
(Antoine Watteau:
pintor francês)
Homens de Todo Amados
para Além da Sabedoria
Homens de todo amados
para além da sabedoria
Têm o bastão, mas não
o estandarte.
Qual fogo em moita
seca
A irromper dentro dos
olhos das mulheres,
É o amor que os homens
devem retribuir.
Coração, tão sutil
agora, e trêmulo,
Que maravilha é ser
sábio,
Para nunca amar dessa
maneira!
Para estar quieto
sobre uma samambaia
Como coisa morta e imóvel,
Ouvindo o grilo
aprisionado
Chacoalhar a sua
terrível, dissimulada
Música na colina de
granito.
Referência:
BOGAN, Louise. Men
loved wholly beyond wisdom. In: __________. Body of this death: poems.
New York, NY: Robert M. McBride & Co., 1923. p. 20.
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