Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 4 de outubro de 2020

Márcio Catunda Gomes - Um Verso

Amalgamando máximas de Pessoa (1888-1935), Ovídio (43 a.C.-~18 d.C.) e Santo Agostinho (354 d.C.-430 d.C.), o diplomata e poeta cearense reforça neste poema a ideia de que todo sonho é consciente quando pautado por um sentido ético, com o que se reduz à irrelevância qualquer afronta que se venha a experimentar em vida.

Diz o autor ainda, com acerto, que por amor nem sempre se procede do modo mais digno. Contudo, penso eu, corre-se o risco, em tal hipótese, de se aviltar o amor próprio, degenerando desse modo um sentimento que, se for verdadeiro, não se impõe sob condições depreciáveis, vis, rastejantes, abjetas. Pois como anota o apóstolo Paulo (1 Cor 13): “O amor (...) não é ambicioso, não busca os seus próprios interesses, (...) não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade (...)”.

J.A.R. – H.C.

Márcio Catunda Gomes
(n. 1957)

Um Verso

Se me fosse dado escolher um verso apenas,
seria o “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.
Não se trata de “os fins justificam os meios”,
lema dos inescrupulosos.
É muito mais que “ama e faz o que queres”.
Por amor nem sempre se faz o mais digno.
Mas, se a alma não é pequena,
não pode haver proposta indecorosa.
Se a alma não é pequena,
toda afronta é irrelevante
e todo sonho é lúcido.

Em: “Rosas de Fogo” (1998)

Os quatro filósofos
(Peter Paul Rubens: pintor flamengo)

Referência:

GOMES, Márcio Catunda. Um verso. In: __________. Plenitude visionária: poemas selecionados. Lisboa, PT: Companhia das Musas, 2007. p. 57.

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