Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Giuseppe Ungaretti - Natal

Ungaretti, um dos mestres da linguagem condensada e aparentemente simples, de versos tantas vezes curtos e imediatos – como os desta postagem –, resgata imagens e sensações caras ao período natalino, quando em inúmeras circunstâncias nos deparamos com situações-limite.

Falamos do ritmo frenético em que as pessoas, nesta época, mergulham: compras e mais compras, presentes, festas e votos mil de ventura, paz e prosperidade. Disso tudo espera fugir o poeta, como se pode constatar na versão do poema ao português que preparamos especialmente para o bloguinho.

J.A.R. – H.C.

Giuseppe Ungaretti
(1888-1970)

Natale

Non ho voglia
di tuffarmi
in un gomitolo
di strade

Ho tanta
stanchezza
sulle spalle

Lasciatemi così
come una
cosa
posata
in un
angolo
e dimenticata

Qui
non si sente
altro
che il caldo buono

Sto
con le quattro
capriole
di fumo
del focolare

Napoli il 26 dicembre 1916
In: “Naufragi” (1919)

Rua do Mercado em São Francisco
(Thomas Kinkade: pintor norte-americano)

Natal

Não tenho vontade
de mergulhar
num emaranhado
de ruas

Carrego
tanto cansaço
sobre os ombros

Deixe-me assim
como uma
coisa
colocada
em um
canto
e esquecida

Aqui
não se sente
outra coisa senão
a aprazível calidez

Vou ficar
com as quatro
cabriolas
de fumaça
da lareira

Nápoles, 26 de dezembro de 1916
Em: “Naufrágios” (1919)

Referência:

UNGARETTI, Giuseppe. Natale. In: __________. L’Alegria: 1914-1919. Traducció de Jordi Domènech. Pròleg d’Haroldo de Campos. Edición Bilingüe: Italiano x Español. Barcelona, ES: Ediciones del Mall, 1985. p. 134.

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