Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Augusto Frederico Schmidt - À Procura do Natal

O poeta busca o presépio do Senhor, sem qualquer estrela móvel no firmamento que lhe oriente sobre a sua real posição. Sem peregrinos, com muitas e grandes cidades pelo caminho, desaparecida, contudo, a cidade em que estará o recém-nascido em seu humilde recanto.

O poema de Schmidt remete à aceleração do fluxo temporal, denotando com isso a sofreguidão vivenciada pelos citadinos, sem oportunidade para aterem-se às supremas demandas do espírito, motivo de troça por parte de quem, há muito, declinou de tais diligências.

J.A.R. – H.C.

Augusto Frederico Schmidt
(1906-1965)

À Procura do Natal

Caminharei em busca do presépio
A noite inteira, meu Senhor.
Não haverá, porém, nenhuma estrela,
Para guiar meus passos.
Todas as estrelas estarão imóveis
No céu imóvel.

Caminharei em busca do presépio
A noite inteira, meu Senhor.
As estradas, porém, estarão solitárias,
Tudo estará adormecido,
As luzes das casas, apagadas,
As vozes dos peregrinos terão morrido
na distância sem fim.

Caminharei ansioso à tua procura,
Mas estarei tão atrasado,
O tempo terá caminhado tão na minha frente,
Que me será difícil encontrar teu recanto humilde.
Cansado, encontrarei grandes cidades,
Mas a tua cidade, Senhor, terá desaparecido.

Muitos se rirão de mim, sabendo que te procuro.

Não haverá nenhuma estrela
Para mostrar o lugar em que te encontras.
Todas as estrelas estarão imóveis no céu...

Cena da Natividade
(Hans von Aachen: pintor alemão)

Referência:

SCHMIDT, Augusto Frederico. À procura do Natal. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 1º Caderno, p. 10. 22 dez. 1956.


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