Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Carlos Drummond de Andrade - Mensagem

O poeta itabirano bem percebe que os dias podem transcorrer monotonamente, tediosamente, fastidiosamente, porque lhes faltam o sal novidadeiro, o motivo que nos faça acordar pela manhã sem abrir a boca num bocejo...

Mas como a robustecer o conceito que está por trás do próprio vocábulo, o Natal nos subjuga com suas promessas, juras eternas de mares nunca dantes navegados, borbulha e rebento das conjunções as mais inopinadas. Que ele entorne sobre nós a sua cornucópia de bondades.

J.A.R. – H.C.

Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)

Mensagem

Todas as coisas foram pesquisadas,
Conferidas, catalogadas em séries,
Não resta mais nenhum prodígio
No seio da Terra, no seio do ar.
O mundo é um bocejo.
Entretanto (como explicar?)
Chega de manso, infiltra-se em nossas paredes
De casa, de carne,
Impressentida essência
(Melodia, memória)
E nos subjuga: Natal.

Em: Jornal do Brasil, 4/12/1982.

Segredo de Natal
(Donald Zolan: artista norte-americano)

Referência:

ANDRADRE, Carlos Drummond de. Mensagem. In: __________. Receita de ano-novo. Concepção e seleção de Pedro Augusto Graña Drummond. Ilustrações de Andrés Sandoval. 1. ed. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2015. p. 53.


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