Alpes Literários

Alpes Literários

Subtítulo

UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sábado, 5 de novembro de 2016

Jorge de Lima - Paixão e Arte

Neste belo soneto com versos alexandrinos e rimas alternadas, o autor alagoano discorre sobre a paixão e a arte. Segundo ele, para se fazer arte a contento, há de se ter paixão. E paixão sem verso, nem pensar!

Para o poeta, a arte do verso é um culto pagão permeado por paixão. Paixão seja ao modo como Dirceu – de fato, Tomás Antônio Gonzaga – dedica a Marília  ou melhor, Maria Dorotéa Joaquina de Seixas; seja à forma devotada por Des Grieux a Manon Lescaut, na ópera de Puccini, baseada na novela do Abade Prévost.

J.A.R. – H.C.

Jorge de Lima
(1893-1953)

Paixão e Arte

A mesma inspiração, que acende o estro,
............................................................
Dá linguagem sublime à estátua muda,
Ou lânguida na lira se transforma
Em sons candentes...
Gonçalves Dias

Ter Arte é ter Paixão. Não há Paixão sem Verso…
O verso é a Arte do Verbo – o ritmo do som…
Existe em toda a parte, ao léu da Vida, asperso
E a Música o modula em gradações de tom…

Blasfemador, ardente, amoroso ou perverso
Quando a Paixão que o gera é Marília ou Manon…
Mas é sempre a Paixão que o faz vibrar diverso;
Se o inspira o Ódio é mau, se o gera o amor é bom…

Diz a História Sagrada e a Tradição nos fala
dum amor inocente (o mais alto destino):
A Paixão de Jesus, o perdão a Madala.

Homem, faze do Verso o teu culto pagão
E canta a tua Dor e talha o alexandrino
A quem te acostumou a ter Arte e Paixão.

Em: “XIV Alexandrinos” (1914)

O Beijo
(Francesco Hayez: pintor italiano)

Referência:

LIMA, Jorge de. Paixão e arte. In: __________. Obra poética. Edição completa, em um volume organizada por Otto Maria Carpeaux. Rio de Janeiro: Editora Getúlio Costa, nov. 1949. p. 51.

Nenhum comentário:

Postar um comentário