Alpes Literários

Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Muriel Rukeyser – Homenagem à Literatura

Nesta postagem, regressamos à literatura às voltas com as suas metáforas, para falar de si própria, de seus grandes mestres no domínio da poética, numa mesura de uma grande poetisa norte-americana de origem judaica: Muriel Rukeyser.

Muriel percebe com clareza o quanto os grandes autores perduram na estrada e se tornam clássicos referentes, como sóis causticantes, cuja presença no universo das letras chega a ser angustiosa para quem pretende dar início a seus trabalhos “ab ovo”.

J.A.R. – H.C. 
Muriel Rukeyser
(1913-1980)

Homage to Literature

When you imagine trumpet-faced musicians
blowing again inimitable jazz
no art can accuse not cannonadings hurt,

or coming out of your dreams of dirigibles
again see the unreasonable cripple
throwing his crutch headlong as the headlights

streak down the torn street, as the three hammerers
go One, Two, Three on the stake, triphammer poundings
and not a sign of new worlds to still the heart;

then stare into the lake of sunset as it runs
boiling, over the west past all control

rolling and swamps the heartbeat and repeats
sea beyond sea after unbearable suns;
think: poems fixed this landscape: Blake, Donne, Keats.

Desert Wasteland and a Scorching Sun
(Jeremy Fort)

Homenagem à Literatura

Quando você imagina músicos com rostos de trompete
a soprar novamente um jazz inimitável,
nenhuma arte pode acusar, tampouco bombardeios ferir,

ou saindo de seus sonhos de dirigíveis,
avistar mais uma vez o insensato coxo
a arremessar sua muleta precipitadamente, enquanto os faróis

irrompem pela rua desnivelada, ao tempo que os três marteladores
vão Um, Dois, Três no fogaréu, batidas na descida do martelo
e nenhum sinal de novos mundos para aquietar o coração;

então você divisa no lago do ocaso como ele se move
abrasador, sobre o oeste e para além de todo controle

a rolar, e como tumultua a pulsação e assim prossegue,
mar após mar, com sóis insuportáveis em seguida;
pensa: os poemas fixaram esta paisagem: Blake, Donne, Keats.

Referência:

RUKEYSER, Muriel. Homage to Literature. In: __________. Out of silence: selected poems. Edited by Kate Daniels. 3.ed. Evanston (Illinois, EUA): TriQuarterly Books - Northwestern University Press, 2000. p. 41.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Carl Sandburg - Eu Sou o Povo, a Plebe

Uma poesia que é um compromisso com a força política de um povo: Carl Sandburg, poeta norte-americano de origem sueca, emprega o recurso à identificação para homenagear os homens e mulheres comuns, que, em última instância, são os que constroem tudo quanto existe no mundo.

Percebe-se no poema, mesmo que tal não haja sido a intenção do poeta, um vocativo à arregimentação da classe trabalhadora, assim como o chamamento de Marx em seu “Manifesto do Partido Comunista”: tudo muda quanto o povo se torna consciente da sua real força!

J.A.R. – H.C. 
Carl Sandburg
(1878-1967)

I am the People, the Mob

I am the people − the mob − the crowd − the mass.
Do you know that all the great work of the world is done through me?
I am the workingman, the inventor, the maker of the world’s food and clothes.
I am the audience that witnesses history. The Napoleons come from me and the Lincolns. They die. And then I send forth more Napoleons and Lincolns.
I am the seed ground. I am a prairie that will stand for much plowing. Terrible storms pass over me. I forget. The best of me is sucked out and wasted. I forget. Everything but Death comes to me and makes me work and give up what I have. And I forget.
Sometimes I growl, shake myself and spatter a few red drops for history to remember. Then − I forget.
When I, the People, learn to remember; when I, the People, use the lessons of yesterday and no longer forget who robbed me last year, who played me for a fool − then there will be no speaker in all the world say the name: “The People”, with any fleck of a sneer in his voice or any far-off smile of derision.
The mob − the crowd − the mass − will arrive then.

A Liberdade Guiando o Povo
(Eugène Delacroix)

Eu Sou o Povo, a Plebe

Eu sou o povo – a plebe – a multidão – a massa.
Sabeis que todas as grandes obras do mundo são feitas por mim?
Sou o operário, o inventor, o produtor de alimentos e roupas do mundo.
Eu sou o público que testemunha a história. Os Napoleões e  os Lincolns têm saído de mim. Eles morrem. E então eu mando buscar mais Napoleões e Lincolns.
Eu sou a semente da terra. Sou uma pradaria que há de suportar muito arado. Terríveis tempestades passam sobre mim. Eu esqueço. O melhor de mim é sugado e desperdiçado. Eu esqueço. Tudo menos a Morte vem até mim, faz-me trabalhar e renuncia ao que tenho. E eu esqueço.
Às vezes eu resmungo, agito-me e respingo algumas gotas vermelhas para a história lembrar. Então – eu esqueço.
Quando eu, o Povo, aprender a lembrar; quando eu, o Povo, usar as lições de ontem e não me esquecer de quem me roubou no ano passado, quem me tomou por um idiota – então não haverá nenhum orador em todo o mundo que pronuncie o nome: “O Povo”, com algum indício de desdém em sua voz ou um sorriso de escárnio.
A plebe – a multidão – a massa – chegará então.

Referência:

SANDBURG, Carl. I am the people, the mob. In: __________. Poems. Classic Poetry Series. Publisher: PoemHunter.com. The World’s Poetry Archive, 2012. Disponível neste endereço. Acesso em: 5 nov 2014. p. 103.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

José Hierro - Teoria

Vem da Espanha mais um poema a nos falar sobre a poesia e seus mistérios. E da pena do grande poeta madrileno José Hierro Real. Nossa versão, para melhor apuro da leitura em português, explicitou na última estrofe os elementos que, no original, foram objeto de elipse por seu autor. Mas nada que altere de modo substantivo o teor do que se expressa!

J.A.R. – H.C.

José Hierro
(1922-2002)

Teoría

Un instante vacío
de acción puede poblarse solamente
de nostalgia o de vino.
Hay quien lo llena de palabras vivas,
de poesía (acción
de espectros, vino con remordimiento).

Cuando la vida se detiene,
se escribe lo pasado o lo imposible
para que los demás vivan aquello
que ya vivió (o que no vivió) el poeta.
Él no puede dar vino,
nostalgia a los demás: sólo palabras.
Si les pudiese dar acción.

La poesía es como el viento,
o como el fuego, o como el mar.
Hace vibrar árboles, ropas,
abrasa espigas, hojas secas,
acuna en su oleaje los objetos
que duermen en la playa.
La poesía es como el viento,
o como el fuego, o como el mar:
da apariencia de vida
a lo inmóvil , a lo paralizado.
Y el leño que arde,
las conchas que las olas traen o llevan,
el papel que arrebata el viento,
destellan una vida momentánea
entre dos inmovilidades.

Pero los que están vivos,
los henchidos de acción,
los palpitantes de nostalgia o vino,
esos... felices, bienaventurados,
porque no necesitan las palabras,
como el caballo corre, aunque no sople el viento,
y vuela la gaviota, aunque esté seco el mar,
y el hombre llora, y canta,
proyecta y edifica, aun sin el fuego.

De: Antología. Por Aurora de Albornoz.

Calm Sea?
Michael Perchard

Teoria

Um instante vazio
de ação somente pode ser preenchido
por nostalgia ou vinho.
Há quem os preencha com palavras vivas,
de poesia (ação
de espectros, vinho com remorso).

Quando a vida se detém,
se escreve o passado ou o impossível
para que os demais vivam aquilo
que já viveu (ou o que não viveu) o poeta.
Ele não pode dar vinho,
nostalgia aos demais: somente palavras.
Se lhes pudesse dar ação.

A poesia é como o vento,
ou como o fogo, ou como o mar.
Faz vibrar árvores, roupas,
abrasa espigas, folhas secas,
acalanta em sua maresia os objetos
que dormem na praia.
A poesia é como o vento,
ou como o fogo, ou como o mar:
dá aparência de vida
ao imóvel, ao paralisado.
E o lenho que arde,
as conchas que as ondas trazem ou levam,
o papel que o vento arrebata,
difundem uma vida momentânea
entre duas imobilidades.

Porém os que estão vivos,
os plenos de ação,
os que palpitam por nostalgia e vinho,
esses... são felizes, bem-aventurados,
porque não necessitam de palavras,
como o cavalo que corre, ainda que o vento não sopre,
e a gaivota que voa, ainda que o mar esteja seco,
e o homem que chora, e canta,
projeta e edifica, mesmo sem o fogo.

De: Antologia. Por Aurora de Albornoz.

Referência:

HIERRO, José. Teoria. In: __________. Antología de la poesía cósmica de José Hierro y Nicolas del Hierro. Selección por Fredo Arias de la Canal. México, D.F. (MX): Frente de Afirmación Hispanista, A.C., 2004. p. 15-16.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Victor Hugo – Ontem ao Anoitecer

Um Victor Hugo lírico, meio alheio àquela poesia altissonante, evocativa e faustosa que tanto influenciou os nossos poetas românticos do período condoreiro, como Castro Alves. É isso o que ora trazemos para os leitores deste bloguinho. Bom proveito!

J.A.R. – H.C. 
Victor Hugo
(1802-1885)

Hier au Soir

Hier, le vent du soir, dont le souffle caresse,
Nous apportait l’odeur des fleurs qui s’ouvrent tard;
La nuit tombait; l’oiseau dormait dans l’ombre épaisse.
Le printemps embaumait, moins que votre jeunesse;
Les astres rayonnaient, moins que votre regard.

Moi, je parlais tout bas. Cest l’heure solennelle
Où l’âme aime à chanter son hymne le plus doux.
Voyant la nuit si pure, et vous voyant si belle,
J’ai dit aux astres d’or: Versez le ciel sur elle!
Et j’ai dit à vos yeux: Versez l’amour sur nous!

Last Night In Paris
Brigitte Roshay

Ontem ao Anoitecer

Ontem, o vento da noite, cujo sopro acaricia,
Nos saciava com o aroma das flores que se abrem tardias;
A noite caía; dormitava o pássaro na sombra espessa.
A primavera perfumava, menos que vossa juventude;
Os astros reluziam, menos que vosso olhar.

Eu falava muito suavemente. Esta é a hora solene
Em que a alma aprecia cantar o seu hino mais doce.
Vendo a noite tão pura, e vos vendo tão bela,
Eu disse aos astros dourados: Vertei o céu sobre ela!
E disse a vossos olhos: Vertei o amor sobre nós!

Referência:
                                                                           
HUGO, Victor. Hier au soir. In: __________. Oeuvres complètes de Victor Hugo. Poésie. Tome V. Les contemplations, I. Autrefois 1830-1843. Paris (FR): VVE Alexandre Houssiaux, Libraire-Éditeur, 1864. p. 133-134.

domingo, 2 de novembro de 2014

Rudyard Kipling – “Se és capaz de manter a tua calma”

Rudyard Kipling, Nobel de 1907, escritor do famoso conto “O homem que queria ser rei”, também foi autor de inúmeras poesias, sendo que uma delas, “If” (“Se”), tornou-se quase que sua marca pessoal.

Dedicado ao seu filho John, “If” sintetiza, digamos assim, um tipo ideal weberiano de homem: perseverança, racionalidade, responsabilidade, confiabilidade e paciência. Em suma: um virtuosismo muito na linha das prescrições dos estoicos.

J.A.R. – H.C. 
Rudyard Kipling
(1865-1936)

If

If you can keep your head when all about you
    Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
    But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
    Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
    And yet don’t look too good, nor talk too wise:

If you can dream − and not make dreams your master;
    If you can think − and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
    And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
    Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
    And stoop and build ’em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
    And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
    And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
    To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
    Except the Will which says to them: “Hold on!”

If you can talk with crowds and keep your virtue,
    Or walk with Kings − nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
    If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
    With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
    And − which is more − you’ll be a Man, my son!

Récita do poema “If”
pelo ator Harvey Keitel

Se
(Tradução atribuída a Guilherme de Almeida)

Se és capaz de manter a tua calma quando
    Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
    E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
    Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
    E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires;
    De sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
    Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
    Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
    E refazê-las com o bem pouco que te reste;
   
Se és capaz de arriscar numa única parada
    Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
    Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
    A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
    Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
    E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
    Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
    Ao mínimo fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
    E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!

Referência:

KIPLING, Rudyard. If. In: __________. 100 poems: old and new. Poem n. 77.  Selected and edited by Thomas Pinney. Cambridge (UK): Cambridge University Press, 2013. p. 137.

sábado, 1 de novembro de 2014

Ferreira Gullar - A Poesia

Ferreira Gullar, o renomado escritor e poeta maranhense, fala-nos, no poema a seguir, da poesia que se autodescreve, que transita pelos seus clássicos, como Púchkin e Baudelaire. Uma poesia que perpassa toda a história, os meandros do quotidiano, a marola do marasmo e a borrasca da revolução!

J.A.R. – H.C.

Ferreira Gullar
(n. 1930)

A Poesia

Onde está
a poesia? Indaga-se
por toda parte. E a poesia
vai à esquina comprar jornal.

Cientistas esquartejam Púchkin e Baudelaire.
Exegetas desmontam a máquina da linguagem.
A poesia ri.

Baixa-se uma portaria: é proibido
misturar o poema com Ipanema.
O poeta depõe no inquérito:
meu poema é puro, flor
sem haste, juro!
Não tem passado nem futuro.
Não sabe a fel nem sabe a mel:
é de papel.
Não é como a açucena
que efêmera
passa.
E não está sujeito à traça
pois tem a proteção do inseticida.
Creia,
o meu poema está infenso à vida.

Claro, a vida é suja, a vida é dura.
E sobretudo insegura:
“Suspeito de atividades subversivas foi detido ontem
o poeta Casimiro de Abreu”.
“A Fábrica de Fiação Camboa abriu falência e deixou
sem emprego uma centena de operários”.
“A adúltera Rosa Gonçalves, depondo na 3ª Vara de Família,
afirmou descaradamente: ‘Traí ele, sim. O amor acaba, seu juiz’”.

O anel que tu me deste
era vidro e se quebrou
o amor que tu me tinhas
era pouco e se acabou

Era pouco? era muito?
Era uma fome azul e navalha
uma vertigem de cabelos e dentes
cheiros que transpassam o metal
e me impedem de viver ainda
Era pouco? Era louco,
um mergulho
no fundo de tua seda aberta em flor embaixo
onde eu morria

Branca e verde
branca e verde
branca branca branca branca
E agora
recostada no divã da sala
depois de tudo
a poesia ri de mim

Ih, é preciso arrumar a casa
que André vai chegar
É preciso preparar o jantar
É preciso ir buscar o menino no colégio
lavar a roupa limpar a vidraça
O amor
(era muito? era pouco?
era calmo? era louco?)
passa
A infância
passa
a ambulância
passa
Só não passa, Ingrácia,
A tua grácia!
E pensar que nunca mais a terei
real e efêmera (na penumbra da tarde)
como a primavera.
E pensar
que ela também vai se juntar
ao esqueleto das noites estreladas
e dos perfumes
que dentro de mim gravitam
feito pó
(e um dia, claro,
ao acender um cigarro
talvez se deflagre com o fogo do fósforo
seu sorriso
entre meus dedos. E só).
Poesia – deter a vida com palavras?
Não – libertá-la,
fazê-la voz e fogo em nossa voz.
Poesia – falar
o dia
acendê-lo do pó
abri-lo
como carne em cada sílaba,
deflagrá-lo
como bala em cada não
como arma em cada mão

E súbito da calçada sobe
e explode
junto ao meu rosto o pássaro?
O pássaro?
Como chamá-lo? Pombo? Bomba? Prombo? Como?
Ele
bicava o chão há pouco
era um pombo mas
súbito explode
em ajas brulhos zules bulha zalas
e foge!
como chamá-lo? Pombo? Não:
poesia
paixão
revolução

Santiago, 12 de julho de 1973.
Recolhido em: “Dentro da Noite Veloz” (1962/1975)

La Joie de Vivre: 1946
Pablo Picasso
(1881-1973)
Referência:

GULLAR, Ferreira. A poesia. In: __________. Os melhores poemas. Seleção de Alfredo Bosi. 2. Ed. São Paulo: Global, 1985. p. 99-102. (Os Melhores Poemas n. 3)
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