Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Tymoteusz Karpowicz - Uma lição de silêncio

O poeta e dramaturgo polonês oferece-nos uma crítica mordaz aos regimes opressivos – a exemplo do nazismo e do estalinismo, que bem os conheceu –, nos quais a ordem é, na realidade, um silenciamento forçado de qualquer laivo de vitalidade, dando ensejo a uma quietude antinatural, por ele metaforizada na figura de um elefante que é coagido a caminhar sem ruído.

 

Trata-se de uma calma artificial, que faz com que “as árvores se ergam silenciosas, como os cabelos se eriçam diante do espanto”, a desvelar os caracteres de um terror paralisante engendrado por um poder político arbitrário e controlador, cujos propósitos destinam-se a eliminar eventuais traços insopitáveis de individualidade, espontaneidade ou expressões naturais.

 

J.A.R. – H.C.

 

Tymoteusz Karpowicz

(1921-2005)

 

Lekcja ciszy

 

Gdy motyl

Zbyt gwałtownie

Czasem złożył skrzydła –

Wołano: proszę o spokój!

 

Zaledwie piórko

Spłoszonego ptaka

Trąciło o promień –

Wołano: proszę o ciszę!

 

Tak nauczono

Bezszelestnie chodzić

Słonia po bębnie,

Człowieka po ziemi.

 

Wstawały drzewa

Bez szumu nad polem

Tak jak powstają

Włosy z przerażenia.

 

Borboletas

(Odilon Redon: pintor francês)

 

Uma lição de silêncio

 

Quando uma borboleta

batia suas asas

forte demais, gritavam-lhe:

Silêncio, por favor!

 

Se um pássaro assustado

roçava a pluma num

raio de sol, gritavam-lhe:

Silêncio, por favor!

 

Assim os elefantes

aprenderam a andar

sem som sobre o tambor –

os homens, sobre a terra.

 

As árvores nos campos

se erguiam silenciosas

como os cabelos quando

se eriçam de terror.

 

Referências:

 

Em Polonês

 

KARPOWICZ, Tymoteusz. Lekcja ciszy. Disponível neste endereço. Acesso em: 18 out. 2026.

 

Em Português

 

KARPOWICZ, Tymoteusz. Uma lição de silêncio. Tradução de Nelson Ascher. In: ASCHER, Nelson (Org. & Trad.). Poesia alheira: 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1998. p. 348.

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