Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 25 de outubro de 2026

Robert Graves - A Linguagem das Estações

De um lado, a verdade elementar da vida natural; do outro, a artificialidade da urbe: eis aí o tema de que trata este poema de Graves. Para ele, o homem somente no campo recupera a sua linguagem primária, na qual conceitos abstratos, como o amor e o tempo, traduzem-se em realidades tangíveis e, com alguma frequência, desconfortáveis.

 

Já agora, estamos nós marcados pela linguagem do intelectualismo, pela psicologia, pela abstração; uma linguagem que media e dilui a experiência direta nos domínios do entorno citadino, onde se percebe o clima somente como frio ou calor, pelo uso de casacos ou roupas térmicas, pelas flores artificiais e exóticas sem quaisquer conexões com a ordem natural.

 

Parece-lhe, sob tal perspectiva, que a natureza, com os seus ciclos ineludíveis e suas leis implacáveis, seria o único dicionário legítimo para compreender a própria vida, mensurá-la, avaliar-lhe as consequências físicas reais, seus extremos de abundância e de escassez, em conexão tanto com a beleza quanto com a destruição – diga-se por oportuno, à maneira dos antigos, cuja sabedoria muito se fundamentava no ritmo das estações.

 

Daí porque aos olhos de Graves a nossa desaprovação a tal infringência aos repertórios do meio ambiente há de ser “legitimista”, um termo político a vincular a ordem natural com um direito monárquico divino que não deve ser violado.

 

J.A.R. – H.C.

 

Robert Graves

(1895-1985)

 

Language of the Seasons

 

Living among orchards, we are ruled

By the four seasons necessarily:

This from unseasonable frosts we learn

Or from usurping suns and haggard flowers –

Legitimist our disapproval.

 

Weather we knew, not seasons, in the city

While, seasonless, orange and orchid shone,

Knew it by heavy overcoat or light,

Framed love in later terminologies

Than here, where we report how weight of snow,

Or weight of fruit, tears branches from the tree.

 

Parada das Estações

(Anne Gifford: artista norte-americana)

 

A Linguagem das Estações

 

Vivendo entre pomares, somos regidos

Necessariamente pelas quatro estações:

Aprendemo-las com as geadas fora de época

Ou com sóis usurpadores e flores murchas –

Legitimista é a nossa desaprovação.

 

Na cidade, conhecíamos o clima, não as estações,

Já que lá, orquídeas e laranjas reluzem intempestivas;

Sabíamo-lo pelos casacos pesados ou leves,

o amor delimitado em terminologias mais tardias

Que as daqui, onde percebemos como o peso da neve

Ou dos frutos arrancam os ramos das árvores.

 

Referência:

 

GRAVES, Robert. Language of the seasons. In: __________. Poems: 1938-1945. 1st ed. New York, NY: Farrar, Straus and Giroux, 1967. p. 23.

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