Alpes Literários

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Subtítulo

UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

terça-feira, 20 de maio de 2025

James Oppenheim - Quanto a estar sozinho

O poeta busca suplantar os temores de estar só, bem assim as comodidades materiais e o bulício das meras distrações mundanas em meio à multidão – meros escapes à introspeção –, para encontrar um sentido mais elevado à sua existência, porventura conectado à grandeza do cosmos e em sintonia com os mistérios de nossa própria natureza interior.

 

A imensidão do silêncio e do espaço confronta o falante com a sua particular insignificância e o porvir inevitável da morte, temas doridos que o evadem das injunções socráticas de autoexame, por meio das quais, nada obstante, tem-se a chance de descobrir o verdadeiro ser e os propósitos de vida a que estamos vocacionados, ou até mesmo de atribuirmos um escopo mais sublime aos nossos dias.

 

J.A.R. – H.C.

 

James Oppenheim

(1882-1932)

 

As to being alone

 

Whi did you hate to be by yourself,

And why were you sick of your

own company?

 

Such the question, and this the answer:

 

I feared sublimity:

I was a little afraid of God:

Silence and space terrified me,

bringing the thought of what

an irritable clod I was and how

soon death would gulp me down...

 

This fear has reared cities:

The cowards flock together by the millions

lest they should be left

alone for a half hour...

With church, theater and school,

With office, mill and motor,

With a thousand cunning devices,

and clever calls to each other,

They escape from themselves to the crowd...

 

Oh, I have loved it all:

Snug rooms, the talk, the pleasant

feast, the pictures:

The warm bath of humanity in which

I relaxed and soaked myself:

And never, I hope, shall I be without

it – at times...

 

But now myself calls me...

The skies demand me, though it is but

ten in the morning:

The earth has an appointment with me,

not to be broken...

I must accustom myself to the gaunt

face of the Subtime...

I must see what I really am, and what

I am for,

And what this city is for, and the Earth

and the stars in their hurry...

 

To turn out typewriters,

To invent a new breakfast food,

To devise a dance that was never

danced until now,

To urge a new sanitation, and a

swifter automobile –

Have the life-surging heavens no

business but this?

 

O andarilho noturno: autorretrato

(Edvard Munch: pintor norueguês)

 

Quanto a estar sozinho

 

Por que odiou você a própria companhia

E por que se enjoou de achar-se a sós consigo?

 

Tal é a pergunta, e esta é a resposta:

 

Temi o sublime:

Estava um bocadinho receoso de Deus;

O silêncio e o espaço aterrorizaram-me

trazendo-me a lembrança de como

era uma partícula irritável e como

tão logo a morte iria tragar-me...

 

Este terror tem erigido cidades:

Os covardes agrupam-se aos milhares

com receios de serem deixados

sós meia hora que seja...

Com igreja, teatro e escola,

Com escritório, fábrica e carro,

Com mil e um expedientes hábeis

e astutas visitas um ao outro,

Deslizam de si mesmos para os grupos...

 

Ah! adorei tudo:

As salas aquecidas, a tagarelice, o banquete

soberbo, os quadros:

O tépido banho de humanidade no qual

repousei os nervos e encharquei-me:

Nunca, espero, estarei sem

eles – às vezes...

 

Mas hoje visito-me a mim mesmo...

Os céus chamam-me, não obstante ser apenas

dez da manhã:

A terra tem um encontro comigo,

não para ser rompido...

Devo acostumar-me com a frágil

figura do Sublime...

Devo ser o que realmente sou, e para

o que sou,

E para o que é esta cidade, e a Terra

e as estrelas na sua pressa...

 

Limpar máquinas de escrever,

Inventar um novo prato para o almoço,

Idealizar uma dança que nunca

foi dançada antes,

Exigir um novo saneamento e um

automóvel mais ligeiro –

A vida – exaurindo céus não teria nenhum

outro serviço?

 

Referências:

 

Em Inglês

 

OPPENHEIM, James. As to being alone. PERSCHBACHER, Olga; WILDE, Dorothy (Eds.). America speaking. Chicago, IL: Scott, Foresman and Co., 1943. p. 419-420.

 

Em Português

 

OPPENHEIM, James. Quanto a estar sozinho. Tradução de Zulmira Ribeiro Tavares. In: GUINSBURG, J.; TAVARES, Zulmira Ribeiro (Orgs.). Quatro mil anos de poesia. Desenhos de Paulina Rabinovich. São Paulo, SP: Perspectiva, 1969. p. 375-376. (Coleção “Judaica”)

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