O poeta busca suplantar
os temores de estar só, bem assim as comodidades materiais e o bulício das meras
distrações mundanas em meio à multidão – meros escapes à introspeção –, para
encontrar um sentido mais elevado à sua existência, porventura conectado à grandeza
do cosmos e em sintonia com os mistérios de nossa própria natureza interior.
A imensidão do
silêncio e do espaço confronta o falante com a sua particular insignificância e
o porvir inevitável da morte, temas doridos que o evadem das injunções socráticas
de autoexame, por meio das quais, nada obstante, tem-se a chance de descobrir o
verdadeiro ser e os propósitos de vida a que estamos vocacionados, ou até mesmo
de atribuirmos um escopo mais sublime aos nossos dias.
J.A.R. – H.C.
James Oppenheim
(1882-1932)
As to being alone
Whi did you hate to
be by yourself,
And why were you sick
of your
own company?
Such the question,
and this the answer:
I feared sublimity:
I was a little afraid
of God:
Silence and space
terrified me,
bringing the thought
of what
an irritable clod I
was and how
soon death would gulp
me down...
This fear has reared
cities:
The cowards flock
together by the millions
lest they should be
left
alone for a half
hour...
With church, theater
and school,
With office, mill and
motor,
With a thousand
cunning devices,
and clever calls to
each other,
They escape from
themselves to the crowd...
Oh, I have loved it all:
Snug rooms, the talk,
the pleasant
feast, the pictures:
The warm bath of
humanity in which
I relaxed and soaked
myself:
And never, I hope,
shall I be without
it – at times...
But now myself calls
me...
The skies demand me,
though it is but
ten in the morning:
The earth has an
appointment with me,
not to be broken...
I must accustom
myself to the gaunt
face of the
Subtime...
I must see what I
really am, and what
I am for,
And what this city is
for, and the Earth
and the stars in
their hurry...
To turn out
typewriters,
To invent a new
breakfast food,
To devise a dance
that was never
danced until now,
To urge a new
sanitation, and a
swifter automobile –
Have the life-surging
heavens no
business but this?
O andarilho noturno:
autorretrato
(Edvard Munch: pintor
norueguês)
Quanto a estar
sozinho
Por que odiou você a
própria companhia
E por que se enjoou
de achar-se a sós consigo?
Tal é a pergunta, e
esta é a resposta:
Temi o sublime:
Estava um bocadinho
receoso de Deus;
O silêncio e o espaço
aterrorizaram-me
trazendo-me a
lembrança de como
era uma partícula
irritável e como
tão logo a morte iria
tragar-me...
Este terror tem
erigido cidades:
Os covardes
agrupam-se aos milhares
com receios de serem
deixados
sós meia hora que
seja...
Com igreja, teatro e
escola,
Com escritório,
fábrica e carro,
Com mil e um
expedientes hábeis
e astutas visitas um
ao outro,
Deslizam de si mesmos
para os grupos...
Ah! adorei tudo:
As salas aquecidas, a
tagarelice, o banquete
soberbo, os quadros:
O tépido banho de
humanidade no qual
repousei os nervos e
encharquei-me:
Nunca, espero,
estarei sem
eles – às vezes...
Mas hoje visito-me a
mim mesmo...
Os céus chamam-me,
não obstante ser apenas
dez da manhã:
A terra tem um
encontro comigo,
não para ser
rompido...
Devo acostumar-me com
a frágil
figura do Sublime...
Devo ser o que
realmente sou, e para
o que sou,
E para o que é esta
cidade, e a Terra
e as estrelas na sua
pressa...
Limpar máquinas de
escrever,
Inventar um novo
prato para o almoço,
Idealizar uma dança
que nunca
foi dançada antes,
Exigir um novo
saneamento e um
automóvel mais
ligeiro –
A vida – exaurindo
céus não teria nenhum
outro serviço?
Referências:
Em Inglês
OPPENHEIM, James. As
to being alone. PERSCHBACHER, Olga; WILDE, Dorothy (Eds.). America speaking.
Chicago, IL: Scott, Foresman and Co., 1943. p. 419-420.
Em Português
OPPENHEIM, James.
Quanto a estar sozinho. Tradução de Zulmira Ribeiro Tavares. In: GUINSBURG, J.;
TAVARES, Zulmira Ribeiro (Orgs.). Quatro mil anos de poesia. Desenhos de
Paulina Rabinovich. São Paulo, SP: Perspectiva, 1969. p. 375-376. (Coleção
“Judaica”)
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