Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Alfredo Jaramillo Andrade - Catedrais Oníricas

Desponta por demais relevante o poder de sugestão deste poema para que que a ele se dê uma interpretação unívoca – quero dizer, pelo menos assim me parece –, muito embora a atmosfera onírica do título persista incólume ao longo de suas linhas, na “liberdade do voo” que se pretende empreender por meio de um impulso às alturas, ou por outra, de um cogitado exílio.

 

A impressão que se tem é que tudo não passaria de uma dinâmica semelhante a que levam a efeito grandes nomes da pintura surrealista, ao transformarem em imagens sobre a tela algumas cenas de sonho que não se pretendem firmadas na realidade, mas no lado mais delirante ou fantasioso da mente?! Devaneios, quimeras, utopias: catedrais que planam na imaginação do poeta...

 

P.s.: “La Cigüeña de Papel” (“A Cegonha de Papelé título de um poemário, então inédito, lançado por Jaramillo, em 1996.

 

J.A.R. – H.C.

 

Alfredo Jaramillo Andrade

(n. 1934)

 

Catedrales Oníricas

 

Al fondo del cristal y su arista secreta,

– punto muerto superior del canto y la palabra –,

la Cigüeña de Papel

en su doblez volcánico saturado de nieve,

nos sorprende, imprevistos, indefensos:

cosa leve, ...risueña, ...bio-forme;

recuperada angustia temporal;

invertebrada y encendida flama

de pronósticos:

 

¡Nos envanece!...

 

¡Los tüneles indiscretos de la pasión

amedrentan las catedrales hondas

del silencio!...

 

Al otro extremo de esta negra antigua

oscuridad sin alas ni memoria,

el reflejo sensual de la semilla,

su parcela equidistante, nos ofrece

la máxima expresión de convergencia.

 

La Cigüeña de Papel,

– burbuja sostenida

en eclosión de alturas –,

alimenta una curiosidad de soles extenuados.

Inquieta tus avances

crónicos. Desubica los cálices de oro.

¡Desarraiga y exilia, oniricamente y cruel

por intimar con ella y su espiral

de clorofila o yeso:

la libertad del vuelo!...

 

(Depuración del fuego / Primera dimensión)

 

Igreja Catedral

(Olga Ibadullayeva: artista ucraniana)

 

Catedrais Oníricas

 

Do fundo do vidro e sua aresta secreta,

– ponto morto superior do canto e da palavra –,

a Cegonha de Papel

em sua dobra vulcânica saturada de neve,

surpreende-nos, imprevistos, indefesos:

coisa leve, ...risonha, ...bio-forme;

recuperada angústia temporal;

invertebrada e ardente flama

de prognósticos:

 

– Envaidece-nos!...

 

Os túneis indiscretos da paixão

assombram as profundas catedrais

do silêncio!...

 

Do outro extremo desta negra e antiga

escuridão sem asas nem memória,

o reflexo sensual da semente,

sua parcela equidistante, oferece-nos

a máxima expressão de convergência.

 

A Cegonha de Papel,

– bolha sustentada

em eclosão de alturas –,

alimenta uma curiosidade de sóis extenuados.

Açula os teus avanços

crônicos. Desloca os cálices de ouro.

Desenraíza e exila, cruel e oniricamente,

por ter-se tornado íntimo dela e de sua espiral

de clorofila e gesso:

a liberdade do voo!...

 

(Depuração do fogo / Primeira dimensão)

 

Referência:

 

ANDRADE, Alfredo Jaramillo. Catedrales oníricas. In: __________. Metáforas y paradigmas: poesía. Loja, EC: Casa de la Cultura Ecuatoriana Benjamin Carriôn (Nucleo de Loja), 2006. p. 25-26.

 

Um comentário:

  1. Caro Rynaldo:
    Muito lhe agradeço as palavras e a força para continuar!
    Um grande abraço,
    João A. Rodrigues

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