Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 15 de maio de 2022

Valdir de Aquino Ximenes - Setembro

Estamos em maio – outono nestas plagas, portanto –, mas a voz lírica já aspira por setembro – quando se inicia a primavera –, tempo de renovação e de floração, de auroras esplêndidas, de chuvas fertilizadoras, de uma vida que se manifesta em sua dinâmica evolutiva, prefigurando certa beatitude intemporal.

 

Mas o próprio falante reconhece que tamanho salto temporal tem lá sua impropriedade ou dose de impaciência, porquanto todos os estados sazonais da natura são plenos de beleza, cada um à sua maneira, beleza essa que se pormenoriza na “paisagem” de cada dia, a veicular suficiente “sabedoria” de grão em grão.

 

J.A.R. – H.C.

 

Valdir de Aquino Ximenes

(n. 1962)

 

Setembro

 

para Cacau

 

Por que hoje ainda é maio

parece que dele não saio,

tamanho o afã por setembro

qual mago do tempo nem lembro

de permeio junho, julho, agosto,

para vivê-lo a contragosto.

 

Por hoje não ser setembro, triste

estou, pois o tempo insiste

em não passar, e eu tenho então

de assistir à tormentosa passagem

das horas, alheio à rica paisagem

dos dias, à sábia miudeza de cada grão.

 

Primavera: paisagem em Florença

(Béla Iványi-Grünwald: pintor húngaro)

 

Referência:

 

XIMENES, Valdir de Aquino. Setembro. In: SOUZA, Aglaia et al. Caliandra: poesia em Brasília. Brasília, DF: André Quicé Editor, 1995. p. 215.

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