Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

terça-feira, 29 de março de 2022

Omar Khayyám - 2. Somos joguetes

Penso que a ideia desenvolvida por Khayyám neste aforismo tem algo a convergir para o “Princípio da Economia” (“Navalha de Ockham”), pois seria a tentativa de explicação mais simples para a realidade do ser humano sobre a Terra, entre as múltiplas explicações para o mesmo fato relativo ao sentido teleológico de nossa existência.

 

Contudo, recuso-me a admitir tal hipótese, pois faz terra arrasada de tudo o que se passa no plano da moral ou da ética, ou ainda, ao amparo da visão de que o Criador deixara de optar pela possibilidade mais nobre, de um universo com liberdade, para tornar-se um sádico capaz de se divertir com este espetáculo dantesco que se desenrola pelos quatro cantos do planeta.

 

Sem assentir com tais determinismos para explicar o mal que desborda por toda parte, e admitindo a matriz estoica por trás deste ponto de vista, dou crédito ao poder que o próprio homem tem para predizê-lo, avaliá-lo e erradicá-lo! Mas se assim não o fizer, que não venha a atribuir a terceiros o suceder de suas misérias: a vontade humana como um recurso contra as tribulações de cada dia!

 

J.A.R. – H.C.

 

Omar Khayyám

(1048-1131)

 

2. Somos joguetes

 

Somos joguetes

nas mãos do Destino.

Simples brinquedos,

à nossa custa

diverte-se o Universo.

 

Joguetes

que vivem redemoinhando

ao sabor dos ventos.

 

Não se trata de metáfora,

nem há exagero no que digo:

esta é a realidade.

 

No passado,

ingenuamente brincávamos

no tablado da vida.

 

Seremos hoje,

uns após outros,

carregados

no féretro do não-ser.

 

A Sra. Deidade e seus Joguetes

(Helen Norton: artista australiana)

 

Referência:

 

KHAYYÁM, Omar. 2. Somos joguetes. Tradução de Christovam de Camargo. In: __________. Rubáiyát. Versão ao português de Christovam de Camargo baseada na interpretação literal do texto persa feita por Ragy Basile. São Paulo, SP: Martin Claret, 2003. p. 24. (Coleção “A Obra-Prima de Cada Autor”; v. 156)

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