Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 22 de dezembro de 2019

Rainer Maria Rilke - Natividade

O poema abaixo é um dos que compõem a obra “Das Marien-Leben” (“Vida de Maria”), de 1912, e se concentra no momento de nascimento de Cristo, como se a voz lírica – presume-se de Maria – se dirigisse ao menino, com ele dialogando e lhe informando das coisas que naquele momento lhe sucediam.

O enfoque do poema, apesar de ater-se em boa medida às descrições das Escrituras, não deixa de afastar-se do convencional, pois Rilke, enquanto dotado poeta, sabe como poucos engendrar conexões entre as ideias, fazendo-as entornar a poesia necessária para que o texto transmita algo capaz de perdurar no tempo.

J.A.R. – H.C.

Rainer Maria Rilke
(1875-1926)

Geburt Christi

Hättest du der Einfalt nicht, wie sollte
dir geschehn, was jetzt die Nacht erhellt?
Sieh, der Gott, der über Völkern grollte,
macht sich mild und kommt in dir zur Welt.

Hast du dir ihn größer vorgestellt?

Was ist Größe? Quer durch alle Maße,
die er durchstreicht, geht sein grades Los.
Selbst ein Stern hat keine solche Straße.
Siehst du, diese Könige sind groß,

und sie schleppen dir vor deinen Schoß

Schätze, die sie für die größten halten,
und du staunst vielleicht bei dieser Gift –:
aber schau in deines Tuches Falten,
wie er jetzt schon alles übertrifft.

Aller Amber, den man weit verschifft,

jeder Goldschmuck und das Luftgewürze,
das sich trübend in die Sinne streut:
alles dieses war von rascher Kürze,
und am Ende hat man es bereut.

Aber (du wirst sehen): Er erfreut.

(Duino, Januar 1912)

Virgem que Adora o Menino
(Correggio: pintor italiano)

Natividade

Se não tivesses a simplicidade, como isso poderia
haver-te sucedido, o que agora ilumina a noite?
Eis que o Deus que se exasperou ante as nações
se faz brando e vem ao mundo em ti.

Tu o havias imaginado maior?

O que é a grandeza? Através de todas as dimensões
pelas quais passa, segue ele em seu reto caminho.
Sequer uma estrela tem um percurso como o seu.
Olha o quão grandes são esses reis,

a trazerem para ti, em seus regaços,

tesouros que consideram os maiores,
e talvez te surpreendam tais presentes –:
mas repara nas dobras do teu manto,
como ele já a tudo supera.

Todo o âmbar, trazido de longe,

todo o ouro forjado e as especiarias aromáticas,
que toldam e entorpecem os sentidos:
Tudo isso foi breve e fugaz,
e, ao final, objeto de lamento.

Mas (verás): traz contentamento.

(Duíno, Janeiro de 1912)

Referência:

RILKE, Rainer Maria. Geburt Christi. In: __________. Das Marien-Leben. Leipzig, DE: Druck der Offizin W. Drugulin, 1912. s. 15. Disponível neste endereço. Acesso em: 12 dez. 2019.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Caro Lucas,
      É uma versão minha ao português, assim como todas as que, postadas no blog, não contenham, explicitamente, o nome do tradutor, a teor do quanto descrito no campo superior esquerdo "Nota Sobre as Traduções".
      João A. Rodrigues

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