Alpes Literários

Alpes Literários

Subtítulo

UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Marianne Moore - Alecrim

Um poema permeado por camadas de significados diversos, embora incontroversamente dedicado ao alecrim, planta que exala um aroma agradável, mas que acaba por se tornar uma pequena árvore de Natal, dada a sua forma facilmente adaptável a uma base ou recipiente.

Os versos aludem a uma lenda cristã sobre a planta, como se pode verificar neste endereço, muito embora ao alecrim se façam inúmeras associações simbólicas, desde o amor erótico, a lembrança e a fidelidade até a amizade e a sobredita lenda que vai a par com outra: o padrão de crescimento da planta seria tal que, ao atingir a altura de Cristo, somente se expandiria em largura, tomando mais ou menos a forma larga e limitada das árvores natalinas.

J.A.R. – H.C.

Marianne Moore
(1887-1972)

Rosemary

Beauty and Beauty’s son and rosemary –
Venus and Love, her son, to speak plainly –
born of the sea supposedly,
at Christmas each, in company,
braids a garland of festivity.
Not always rosemary –

since the flight to Egypt, blooming indifferently.
With lancelike leaf, green but silver underneath,
its flowers – white originally –
turned blue. The herb of memory,
imitating the blue robe of Mary,
is not too legendary

to flower both as symbol and as pungency.
Springing from stones beside the sea,
the height of Christ when he was thirty-three –
it feeds on dew and to the bee
“hath a dumb language”; is in reality
a kind of Christmas tree.

A Madona e o Menino
(Joos van Cleve: pintor flamengo)

Alecrim

A Beleza e o filho da Beleza e o alecrim –
para falar claro, Vênus e Amor, seu filho –,
supostamente do mar nativos,
cada qual no Natal, em convívio,
engrinalda festão festivo.
Nem sempre alecrim –

desde a fuga para o Egito, é diferente o viço.
De folha lanciforme, verde mas argentina
por baixo, as flores – brancas no início –
são hoje azuis. Não é tão lendária
esta erva da memória, que imita o
manto azul de Maria.

a ponto de florescer como símbolo ou pique.
Medrando em pedras junto ao mar, de Cristo
aos trinta
e três a estatura – de rocio
se nutre e como a abelha fala a “língua
do silêncio”; é na verdade um tipo
de árvore de Natal.

Referência:

MOORE, Marianne. Rosemary / Alecrim. Tradução de José Antonio Arantes. In: __________. Poemas. Seleção de João Moura Júnior. Tradução e posfácio de José Antonio Arantes. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 1991. Em inglês: p. 138; em português: p. 139.

Nenhum comentário:

Postar um comentário