Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Pier Paolo Pasolini - À minha nação ‎

Não fosse pela menção de que a Itália pertence à Europa, diria que Pasolini, de fato, talvez estivesse falando do Brasil (rs)! Poderia ele então ter acrescentado uma mídia canalha, que a pretexto de defender o interesse do povo, longe disso, só vê as benesses que pode arregimentar ao erário, em desfavor, claro está, desse mesmo povo! E haja manipulação!

Que mau exemplo para o mundo: poderia naufragar de vez e livrá-lo de ter que lidar com tamanha leviandade! A bem da verdade, deveria este Pindorama extirpar de seu dicionário palavras como ética ou virtude, porque a carência de princípios morais, sobretudo na maior parte de sua classe política e de seus magistrados, é axiomática!

J.A.R. – H.C.

Pier Paolo Pasolini
(1922-1975)

Alla mia nazione

Non popolo arabo, non popolo balcanico, non popolo antico,
ma nazione vivente, ma nazione europea:
e cosa sei? Terra di infanti, affamati, corrotti,
governanti impiegati di agrari, prefetti codini,
avvocatucci unti di brillantina e i piedi sporchi,
funzionari liberali carogne come gli zii bigotti,
una caserma, un seminario, una spiaggia libera, un casino!
Milioni di piccoli borghesi come milioni di porci
pascolano sospingendosi sotto gli illesi palazzotti,
tra case coloniali scrostate ormai come chiese.
Proprio perché tu sei esistita, ora non esisti,
proprio perché fosti cosciente, sei incosciente.
E solo perché sei cattolica, non puoi pensare
che il tuo male è tutto il male: colpa di ogni male.
Sprofonda in questo tuo bel mare, libera il mondo.

In: “La Religione del mio Tempo” (1961)

Verona
(Leonid Afremov: pintor israelense)

À minha nação

Não povo árabe, não povo balcânico, não povo antigo,
mas nação vivente, mas nação europeia:
e o que és? Terra de infantes, famintos, corruptos,
governantes a soldo do latifúndio, prefeitos reacionários,
advogadinhos sebentos de brilhantina e pés imundos,
profissionais liberais canalhas como tios carolas,
um quartel, um seminário, uma praia livre, um bordel!
Milhões de pequenos burgueses como milhões de porcos
a pastar empurrando-se sob intactos palacetes,
entre casas coloniais já descascadas feito igrejas.
E justo porque exististe, agora não existes,
justo porque foste consciente, és inconsciente.
E só porque és católica, não podes pensar
que teu mal é todo o mal: culpa de todo mal.
Naufraga em teu mar maravilhoso, liberta o mundo.

Em: “A Religião do meu Tempo” (1961)

Referência:

PASOLINI, Pier Paolo. Alla mia nazione / À minha nação. Tradução de Maurício Santana Dias. In: __________. Poemas. Organização e introdução de Alfonso Berardinelli e Maurício Santana Dias. Posfácio de Maria Betânia Amoroso. Edição bilíngue. São Paulo, SP: Cosac Naify, 2015. Em italiano: p. 146; em português: p. 147.

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