Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 20 de maio de 2018

Howard Nemerov - O Globo Diário ‎

A forma como os jornais, em qualquer que seja a mídia, levam as notícias ao conhecimento dos usuários à volta do mundo nada mais é do que a recapitulação diária das catástrofes, pois, segundo o poeta, o maior prazer intelectual do homem é repetir-se.

Em meio aos personagens das histórias em quadrinhos, que teimam em persistir nas páginas de diversões dos jornais ainda em circulação, atenta Nemerov para o fato de que, nos periódicos, são suficientemente segregadas por sexo as seções relacionadas a óbitos e casamentos, nestas últimas sendo frequentes as fotografias de moças e, naquelas, as de homens.

J.A.R. – H.C.

Howard Nemerov
(1920-1991)

The Daily Globe

Each day another installment of the old
Romance of Order brings to the breakfast table
The paper flowers of catastrophe.
One has this recurrent dream about the world.

Headlines declare the ambiguous oracles,
The comfortable old prophets mutter doom.
Man’s greatest intellectual pleasure is
To repeat himself, yet somehow the daily globe

Rolls on, while the characters in comic strips
Prolong their slow, interminable lives
Beyond the segregated photographs
Of the girls that marry and the men that die.

O aroma de rosas:
uma beldade num jardim
(Konstantin Razumov: pintor russo)

O Globo Diário

Cada dia um outro capítulo do velho
Romance da Ordem traz à mesa do desjejum
As flores de papel da catástrofe.
Tem-se esse sonho periódico a respeito do mundo.

As manchetes anunciam os oráculos ambíguos,
Os velhos profetas confortáveis murmuram o destino.
O maior prazer intelectual do homem é
Repetir-se, embora de algum modo o globo diário

Siga adiante, enquanto os personagens das estórias
em quadrinhos
Prolongam suas vidas lentas, intermináveis,
Além das fotografias segregadas
Das moças que se casam e dos homens que morrem.

Referência:

NEMEROV, Howard. The daily globe / O globo diário. Tradução de Marcos Santarrita. In: __________ (Coord.). Poesia como criação. Tradução de Marcos Santarrita. Rio de Janeiro, GB: Edições GRD, 1968. Em inglês: p. 299-300; em português: p. 303.

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