Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Wallace Stevens - Teoria

Wallace teoriza sobre a teoria: assume a palavra pela senhora e pronuncia um discurso que supõe haver dela saído. A teoria, desse jeito, seria aquilo que está ao seu redor, afinal, para que uma teoria tenha validade haveremos de chamá-la a uma condição de presença, por meio de um teste capaz de comprovar a sua aderência ao mundo real à volta.

Wallace adota exemplos para convalidar as suas asserções. Eis o melhor: para se ser duquesa, nada de distâncias na escala de anos-luz. Ou a condição se concretiza nas imediações de uma carruagem, ou será melhor declinar do desejo de assumir um posto de nobreza!

J.A.R. – H.C.

Wallace Stevens
(1879-1955)

Theory

I am what is around me.

Women understand this.
One is not duchess
A hundred yards from a carriage.

These, then are portraits:
A black vestibule;
A high bed sheltered by curtains.

These are merely instances.

In: “Harmonium” (1917)

São Jorge
(Kurt Wenner: artista norte-americano)

Teoria

Sou o que me rodeia.

As mulheres compreendem isto.
Não se pode ser duquesa
A cem jardas de uma carruagem.

Estes, portanto, são retratos:
Um vestíbulo negro;
Uma cama alta recoberta de cortinas.

Eis aí meros exemplos.

Em: “Harmônio” (1917)

Referência:

STEVENS, Wallace. Theory. In: __________. The collected poems. 11th printing. New York, NY: Alfred A. Knopf, feb. 1971. p. 86-87.

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