Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Friedrich Schiller - A Canção que Vem do Sino (Excerto)

A passagem que ora transcrevemos de Schiller tem por tema um famoso dilema de natureza política, tantas vezes analisado no domínio das ciências humanas, como no caso da obra “Igualdade e Liberdade”, do italiano Norberto Bobbio, traduzida no Brasil pela Ediouro.

Com imagens fortes, o poeta alemão tornou-se famoso ao expressar os ideais da espécie em seus poemas e peças, sempre a afirmar que liberdade não vem sem o correspondente dever, tampouco a igualdade sem responsabilidade compartilhada.

É notória, no excerto selecionado, a alusão aos horrores da Revolução Francesa – o poema foi publicado em 1799 –, e, muito particularmente, às mulheres, qualificadas pelo autor como “hienas”, a evidenciar uma visão ainda marcadamente focada nos papéis a serem desempenhados pelo homem e pela mulher, claro está, hoje obsoleta. Fosse ele se expressar desse modo nos dias que correm, e as feministas iriam exigir-lhe o fígado! (rs).

J.A.R. – H.C.

Friedrich Schiller
(1759-1805)
Pintura do alemão Gerhard von Kügelgen

Freiheit und Gleichheit!

Freiheit und Gleichheit! hört man schallen,
Der ruhge Bürger greift zur Wehr,
Die Straßen füllen sich, die Hallen,
Und Würgerbanden ziehn umher,
Das werden Weiber zu Hyänen
Und treiben mit Entsetzen Scherz,
Noch zuckend, mit des Panthers Zähnen,
Zerreißen sie des Feindes Herz.
Nichts Heiliges ist mehr, es lösen
Sich alle Bande frommer Scheu,
Der Gute räumt den Platz dem Bösen,
Und alle Laster walten frei.
Gefährlich ist's, den Leu zu wecken,
Verderblich ist des Tigers Zahn,
Jedoch der schrecklichste der Schrecken,
Das ist der Mensch in seinem Wahn.
Weh denen, die dem Ewigblinden
Des Lichtes Himmelsfackel leihn!
Sie strahlt ihm nicht, sie kann nur zünden
Und äschert Städt und Länder ein.

Sinos de Santorini
(Lauren Beisel: artista norte-americana)

Liberdade e Igualdade!

Liberdade e igualdade!, escuta-se ecoar;
O pacato cidadão defende-se,
Enchem-se as ruas, os mercados,
E bandos de estranguladores surgem por toda volta;
Então as mulheres tornam-se hienas
E agem apavorantes, sarcásticas,
E ainda contorcendo-se, com dentes de pantera,
Rasgam o coração do inimigo.
Nada Santo o é mais, desatam-se
Todos os laços do piedoso temor,
O bem cede lugar ao mal,
E todos os vícios reinam livres.
Perigoso é acordar o leão,
Destruidor é o dente do tigre,
No entanto, o mais terrível dos horrores,
É o homem no seu desvario.
Ai daqueles que emprestam ao eterno cego
O facho da luz celestial!
Este não brilha para ele, a luz tão somente queima
E torna em cinzas cidades e países.

Referência:

SCHILLER, Friedrich. Freiheit und gleichheit! / Liberdade e igualdade. (Excerto). In: __________. Das lied von der glocke / A canção que vem do sino. Tradução de Maria Costa e Theodorus Vreeswijk. Goiânia (GO): Composição Gráfica Walter Galvão / Arte Maria Costa, jun. 1994. Em alemão: p. 19; em português: p. 9.

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