Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sábado, 16 de janeiro de 2016

Manuel Bandeira - Porquinho-da-Índia

Manuel Bandeira foi mesmo um poeta do simples e do sensível: veja o leitor como ele expressa o afeto que tinha pelo seu porquinho-da-Índia, que bem mais do que o calor do carinho do poeta, preferia o ambiente tépido de baixo do fogão.

E mais: o afeto do poeta, ainda criança, era tanto pelo animal, que, em sua castiça inocência, ousa associá-lo ao amor sem condicionantes que um garoto possa dedicar à sua primeira namorada.

J.A.R. – H.C.

Manuel Bandeira
(1886-1968)

Porquinho-da-Índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
– O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

Porquinhos-da-Índia
(Henrietta Ward: pintora inglesa)

Referência:

BANDEIRA, Manuel. Porquinho-da-Índia. In: PINTO, José Nêumanne (Sel.). Os cem melhores poetas brasileiros do século. São Paulo, SP: Geração, 2001. p. 96.

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