Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 17 de janeiro de 2016

Eugenio Montale - A Morte de Deus

Com aquele tom pessimista e apocalíptico que lhe é característico, Montale formula de modo algo distinto a mesma ideia nietzschiana de que Deus esteja morto.

Deus, alheio à história e às nossas angústias, seria uma concepção, segundo o poeta, já meio caduca entre os homens, muito embora possa convergir para a busca de um conhecimento mais esmerado do mundo, por remeter às instâncias superiores do ser, à eternidade.

J.A.R. – H.C.

Eugenio Montale
(1896-1981)

La Morte di Dio

Tutte le religioni del Dio unico
sono una sola: variano i cuochi e le cotture.
Così rimuginavo; e m’interruppi quando
tu scivolasti vertiginosamente
dentro la scala a chiocciola della Périgourdine
e di laggiù ridesti a crepapelle.
Fu una buona serata con un attimo appena
di spavento. Anche il papa
in Israele disse la stessa cosa
ma se ne pentì quando fu informato
che il sommo Emarginato, se mai fu,
era perento.

A Lamentação
(Anthony van Dyck: pintor flamengo)

A Morte de Deus

Todas as religiões do Deus único
são uma só: variam o cozimento e os cozinheiros.
Assim ruminava eu; e interrompi-me quando
escorregaste vertiginosamente
pela escada em caracol do Périgourdine
e embaixo riste a bandeiras despregadas.
Foi uma noite gostosa com apenas um instante
de susto. Até o papa
em Israel disse a mesma coisa
mas se arrependeu quando foi informado
de que o sumo Marginado, se jamais existiu,
estava perempto.

Referência:

MONTALE, Eugenio. La morte di Dio. In: __________. Poesias. Edição bilíngue. Seleção, tradução e notas de Geraldo Holanda Cavalcanti. Prefácio de Luciana Stegagno Picchio. Rio de Janeiro, RJ: Record, 1997. Em italiano: p. 118; em português: p. 119.

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