Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Paulo George - A Thiago de Mello

O autor carioca dedica o seu poema ao poeta amazonense Thiago de Mello (1926-2022) – bastante conhecido por seu ativismo ambiental e social –, estruturando-o em duas seções bem demarcadas, a primeira a apresentar o ser humano imerso num ecossistema em ruínas, espelho agônico do colapso do mundo natural, enquanto a segunda, mais esperançosa, abre-se a uma possível redenção através da poesia e da tomada de consciência.

 

Entre um grito de alerta e um canto de esperança, os versos fluem numa relação de paralelismo absoluto entre a floresta e o homem, dependentes um do outro como se fossem entidades simbióticas, a enfatizarem as perdas irreparáveis nos elementos vitais do bioma amazônico, promovidas pelo incessante processo de devastação que lhe é imposto, muitas das vezes inconsequente.

 

A mensagem final do poema firma-se na ideia de resiliência, de fé na vida e no poder transformador da poesia: mesmo quando a floresta exterior se desarboriza, a “floresta interior” – a capacidade de sentir, criar e amar – permanece intacta como um último e indestrutível tesouro no coração humano, uma flor que não se deixa arrastar pelas lâminas argentárias dos buldôzeres.

 

J.A.R. – H.C.

 

Paulo George M. de Souza

(n. 1956)

 

A Thiago de Mello

 

Estão devastando o homem.

Não há mais sol na floresta

não há mais luz no homem.

Não há mais vento na floresta

não há mais canto no homem.

Não há mais árvore na floresta

não há mais certeza no homem.

 

Com você aprendo a festa de ser homem,

a floresta imensa de ser poeta.

Aprendo que a flor resta na floresta

fechada no peito do homem.

 

Thiago de Mello

Ilustração de autoria desconhecida

(1926-2022)

 

Referência:

 

GEORGE, Paulo. A Thiago de Mello. In: __________. Calendário di-versos. São Paulo, SP: Futurama Editora, 2023. p. 44.

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