A advertência levada
à frente nestas linhas por Erich Fried – poeta e comentarista político austríaco
de ascendência judaica – é suficientemente clara e bastante válida para o
momento que estamos vivendo em Pindorama e em diversas partes do mundo: as
concessões abusivas que se façam a pretexto de defesa ao direito à liberdade
são um caminho perigoso que pode levar à sua própria destruição.
Veja-se a elocução
sublinhada pelo autor, constante na segunda estrofe do infratranscrito poema, aplicável
bem mais além das lindes de seu contexto histórico imediato, alusivo à
Alemanha: a verdadeira liberdade reside no equilíbrio precário entre a defesa
inquebrantável dos próprios direitos (o “para mim”) e o compromisso com o bem
comum (o “não somente para mim”), e deve ser exercido com uma urgência implacável
(“agora”).
J.A.R. – H.C.
Erich Fried
(1921-1988)
Warnung vor Zugeständnissen
Ich habe mich
in Deutschland
gefragt
ob Freiheit
Zugeständnisse machen
kann
und gefragt
was aus ihr wird
wenn sie
Zugeständnisse macht
und ob die
die Zugeständnisse
von ihr verlangen
sich dann mit ihnen
zufriedengeben und
der Freiheit die
Freiheit lassen
die sie sich so
wenn auch nur
eingeschränkt
zu bewahren hofft
Mir fiel dabei immer
nur Rabbi Hillel ein
der Lehrer der
Sanftmut
und der Geduld
der gesagt hat:
“Wenn ich
nicht
für mıch bin
wer dann?
Doch wenn ich nur
für mich bin
was bin ich?
Und wenn nicht jetzt
wann sonst?”
Liberdade
(Lelaine Liebenberg: artista
sul-africana)
Advertência diante
das Concessões
Na Alemanha,
indagava-me
se a liberdade
poderia fazer
concessões,
questionando-me
o que seria dela,
caso as fizesse;
se aqueles
que lhe exigissem
tais concessões
se dariam então por
satisfeitos,
assegurando-lhe
o correspondente
espaço
necessário
para que pudesse
preservar
a sua essência,
ainda que de forma
limitada.
Sempre me vinha à
mente
o rabino Hillel,
o mestre da brandura
e da paciência,
que dizia:
“Se eu não for
por mim,
quem o será?
Mas se eu for apenas
por mim,
o que serei?
E se não for agora,
quando então?”
Referência:
FRIED, Erich. Warnung vor zugeständnissen. In: __________. Liebesgedichte. Berlin, DE: Verlag Klaus Wagenbach, 1995. s. 39.
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