Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Erich Fried - Advertência diante das Concessões

A advertência levada à frente nestas linhas por Erich Fried – poeta e comentarista político austríaco de ascendência judaica – é suficientemente clara e bastante válida para o momento que estamos vivendo em Pindorama e em diversas partes do mundo: as concessões abusivas que se façam a pretexto de defesa ao direito à liberdade são um caminho perigoso que pode levar à sua própria destruição.

 

Veja-se a elocução sublinhada pelo autor, constante na segunda estrofe do infratranscrito poema, aplicável bem mais além das lindes de seu contexto histórico imediato, alusivo à Alemanha: a verdadeira liberdade reside no equilíbrio precário entre a defesa inquebrantável dos próprios direitos (o “para mim”) e o compromisso com o bem comum (o “não somente para mim”), e deve ser exercido com uma urgência implacável (“agora”).

 

J.A.R. – H.C.

 

Erich Fried

(1921-1988)

 

Warnung vor Zugeständnissen

 

Ich habe mich

in Deutschland

gefragt

ob Freiheit

Zugeständnisse machen kann

und gefragt

was aus ihr wird

wenn sie Zugeständnisse macht

und ob die

die Zugeständnisse

von ihr verlangen

sich dann mit ihnen

zufriedengeben und

der Freiheit die Freiheit lassen

die sie sich so

wenn auch nur eingeschränkt

zu bewahren hofft

 

Mir fiel dabei immer

nur Rabbi Hillel ein

der Lehrer der Sanftmut

und der Geduld

der gesagt hat:

“Wenn ich nicht

für mıch bin

wer dann?

Doch wenn ich nur

für mich bin

was bin ich?

Und wenn nicht jetzt

wann sonst?”

 

Liberdade

(Lelaine Liebenberg: artista sul-africana)

 

Advertência diante das Concessões

 

Na Alemanha,

indagava-me

se a liberdade

poderia fazer concessões,

questionando-me

o que seria dela,

caso as fizesse;

se aqueles

que lhe exigissem

tais concessões

se dariam então por satisfeitos,

assegurando-lhe

o correspondente espaço

necessário

para que pudesse preservar

a sua essência,

ainda que de forma limitada.

 

Sempre me vinha à mente

o rabino Hillel,

o mestre da brandura

e da paciência,

que dizia:

“Se eu não for

por mim,

quem o será?

Mas se eu for apenas

por mim,

o que serei?

E se não for agora,

quando então?”

 

Referência:

 

FRIED, Erich. Warnung vor zugeständnissen. In: __________. Liebesgedichte. Berlin, DE: Verlag Klaus Wagenbach, 1995. s. 39.

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