A bem da verdade, o
epigrafado título, no qual se menciona tão apenas o bardo inglês – replicando o
modo como transcrito na versão brasileira da obra em referência –, não faz
completa justiça à infratranscrita seção do ensaio de Lewis, pois que os juízos
do ensaísta irlandês são declinados em contraste com os lineamentos da escrita
de outro grande literato britânico, vale dizer, John Milton (1608-1674), autor
de “O Paraíso Perdido”.
Mas relevemos,
porque, ao enfatizar o molde em volutas da redação de Shakespeare, Lewis emprega,
a meu ver, imagens bastante persuasivas, primeiramente para outorgar elegância
ao raciocínio como um todo, depois para nos fazer ver que o reconhecimento de
padrões, presentes em quaisquer que sejam os objetos de exame, é,
provavelmente, uma das técnicas mais idôneas para se lhes empreender uma
análise em colação.
J.A.R. – H.C.
C. S. Lewis
(1898-1963)
Shakespeare
Where Milton marches
steadily forward, Shakespeare behaves rather like a swallow. He darts at the
subject and glances away; and then he is back again before your eyes can follow
him. It is as if he kept on having tries at it, and being dissatisfied. He
darts image after image at you and still seems to think that he has not done
enough. He brings up a whole light artillery of mythology, and gets tired of
each piece almost before he has fired it. He wants to see the object from a
dozen diferent angles; if the undignified word is pardonable, he nibbles, like
a man trying a tough biscuit now from this side and now from that. You can find
the same sort of contrast almost anywhere between these two poets.
William Shakespeare
(1564-1616)
(Retrato de Cobbe)
Shakespeare
Enquanto Milton
marcha firmemente em determinada direção, Skakespeare se comporta mais como uma
andorinha. Ele arremessa o assunto e desvia o olhar; em seguida, retorna mais uma
vez para o mesmo assunto, antes que seus olhos possam segui-lo. É como se
tentasse, vez após vez, e continuasse insatisfeito. Shakespeare arremessa
imagem após imagem contra você e pensa que não fez o suficiente. Traz à tona
toda uma artilharia leve da mitologia, mas cansa-se de cada peça, quase antes
de dispará-la. Ele deseja ver o objeto a partir de diversos ângulos diferentes,
como um homem que tenta mastigar um biscoito duro, primeiro de um lado e depois
do outro. Você pode encontrar o mesmo tipo de contraste em quase qualquer
escrito desses dois poetas.
Referências:
Em Inglês
LEWIS, C. S.
Shakespeare. In: __________. Selected literary essays (Variation in
Shakespeare and others). Edited by Walter Hooper. Canto Classics Edition.
Cambridge, EN: Cambridge University Press, 2013. p. 75.
Em Português
LEWIS, C. S. Shakespeare. Tradução de Elissamai Bauleo. In: __________. Como cultivar uma vida de leitura. Tradução de Elissamai Bauleo. 1. ed. Rio de Janeiro, RJ: Thomas Nelson Brasil, 2020. p. 158.
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