Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 12 de junho de 2022

Matthias Claudius - O semeador

Nos cinco tercetos deste poema tem-se a morte como tema principal e toda a carga simbólica que a ela se associa para outorgar uma mensagem eufêmica à pessoa enlutada, a figura da águia em especial, naquilo que paira acima das contingências terrenas, transportando a alma da falecida sobre suas asas, a fim de fazê-la retornar a Deus.

 

O poema, conforme pude apurar, provavelmente se refere ao óbito da irmã do poeta, Dorothea Christine (1744-1766), então com apenas 22 anos: este mundo é um teatro e aqui aportamos somente representar o que nos cabe, alguns num breve entreato, outros em representações mais demoradas, de uma forma ou de outra, contudo, jamais para sempre.

 

J.A.R. – H.C.

 

Matthias Claudius

(1740-1815)

Retrato atribuído a Friederike Leisching

 

Der Säemann säer den Samen

 

Der Säemann säet den Samen,

Die Erd empfängt ihn, und über ein kleines

Keimet die Blume herauf.

 

Du liebtest sie. Was auch dies Leben

Sonst für Gewwin hat, war klein dir geachtet,

Und sie entschlummerte dir.

 

Was weinest du neben dem Grabe

Und hebst die Hände zur Wolke des Todes

Un der Verwesung empor?

 

Wie Gras auf dem Felde sind Menschen

Dahin, wie Blätter! Nur wenige Tage

Gehn wir verkleidet einher.

 

Der Adler besuchet die Erde,

Doch säumt nicht, schüttelt vom Flügel den Staub und

Kehret zur Sonne zurück!

 

O Semeador

(Ivan Grohar: pintor esloveno)

 

O semeador

 

Lança a semente o semeador.

Recebe-a a terra; e dentro em pouco

Germina, aponta a flor.

 

Tu a amavas; por ela desprezaste

Os outros dons que a vida oferecia

e sozinho ficaste.

 

Chorar próximo à tumba sossegada,

Para a nuvem da morte erguer os braços –

Que valem gestos ante o nada?

 

Passa o homem qual erva emurchecida,

Qual folha de arvoredo; é muito breve

A mascarada desta vida.

 

O pouso da águia pouco dura:

Logo, a poeira das asas sacudindo,

Remonta ao sol na altura...

 

Referência:

 

CLAUDIUS, Matthias. Tradução de Olívia de Krahenbuhl. In: COLEN, Érico; DRUMOND, Luana (Orgs.). Das tempestades: a poesia alemã do sturm und drang. Belo Horizonte, MG: FALE/UFMG, 2010. Em alemão: p. 14; em português: 15. Disponível neste endereço. Acesso em: 3 jun. 2022.

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