Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Maria Wine - Beleza

Este poema da poetisa sueco-dinamarquesa é um lídimo panegírico à beleza, passível de ser encontrada em todo lugar, no passado e no futuro, como diz a voz lírica – e, claro, no presente, como se poderia complementar: beleza natural, beleza das criações humanas, beleza da palavra, beleza sublime, beleza perene, beleza precária, beleza plasmada na alegria e na dor.

 

Bastante comum é o recurso dos artistas à emoção engendrada pela beleza, procurando despertá-la em associação com a verdade, para, com isso, aguçar certo compromisso com o perdurável: não mero esteticismo gratuito, senão a mais legítima manifestação da grandeza de espírito, de brilho tenaz a fulminar as trevas.

 

J.A.R. – H.C.

 

Maria Wine

(1912-2003)

 

Skönheten

 

Det finns skönhet inom allt

kring allt

i det närvarande

i det frånvarande

 

skönheten är evighetens blåa fågel

den har vingar

av is och snö

av regn och grönska

av sol och mörker

den droppar violer i stenens hjärta

bränner svarta kors i ögats sorg

växer som höga cypresser i mannens drömmar

genomtränger smärtans tunnel

med flöjtens ljus

den är en ung flicka

med korsvägens klöverblomma vid sin fot

 

skönheten:

munnens slutna blomma

kyssens röda djup

lemmarnas omslingrande vattenlinjer

ditt bål

mitt bål

närt av nattens vilsna rosor

 

skönheten är den blindas dröm om ljuset

blixten i det jagade rådjurets öga

den är morgonens jungfru

som spinner sitt nystan av guld

ett segel åt svanornas pilformade båt

den är vinden som rider dagens hästar

till kvällarnas svarta ängar

 

(skönheten kan du plocka i bergets grotta

där stjärnorna är gröna

och månen en svart sten)

 

skönheten är handens fem poem

nackens svanbugning för sorgen

den är djupets blåa fot

på vandring uppåt eller nedåt

i avskedets stund är den en vagn

som flyr med bakåtlutat hår

smyckat av soliga minnen

 

i det frånvarande

i det närvarande

kring allt

inom allt

kan du finna skönheten

 

Av: “Född med svarta segel” (1950)

 

Uma beldade veneziana

(Eugene de Blaas: pintor italiano)

 

Beleza

 

Em tudo há beleza

tudo envolvendo

no presente

no passado

 

a beleza é o pássaro azul da eternidade

que asas tem

de gelo e de neve

de chuva e verdor

de sol e trevas

que goteja violetas no coração da pedra

queima cruzes negras na tristeza dos olhos

cresce como altos ciprestes nos sonhos do homem

penetra no túnel da dor

com a luz da flauta

e uma donzela

com o trevo das encruzilhadas aos pés

 

beleza:

cerrada flor da boca

profundez rubra do beijo

aquáteis lilases ondeantes dos membros

teu torso

meu torso

sustentados pelas rosas perdidas da noite

 

a beleza é o sonho de luz do cego

o relampejo nos olhos do corço perseguido

é a virgem da manhã

que fia seu novelo de oiro

uma vela para o barco em flecha do cisne

é o vento que cavaleiro conduz os cavalos do dia

para os negros prados da noite

 

(a beleza podes colhê-la em grutas na serra

onde são verdes as estrelas

e a lua pedra negra)

 

a beleza é os cinco poemas da mão

como do cisne a curvatura da nuca perante a dor

é o fundo azul do abismo

para cima ou para baixo vagueando

na hora da despedida é uma carruagem

que parte com o cabelo lançado para trás

ornado de recordações de sol

 

no passado

no presente

tudo envolvendo

em tudo

podes encontrar beleza

 

Em: “Nascida com velas negras” (1950)

 

Referências:

 

Em Sueco

 

WINE, Maria. Skönheten. Disponível neste endereço. Acesso em: 20 jun. 2022.

 

Em Português

 

WINE, Maria. Beleza. Tradução de Silva Duarte. In: DUARTE, Silva (Seleção e tradução). Cinco poetas suecos (II): antologia em versão direta. Barcelos, PT: Companhia Editora do Minho, jul. 1981. p. 21-22.

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