Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Steven Bauer - Introdução à Poesia

Um poema, segundo Bauer, seria uma espécie de carona com um estranho, na qual o leitor empreenderia viagem à busca de si mesmo: a poesia, sob tal mirada, equiparar-se-ia a um espelho a provocar “distorções” nas imagens que nele se refletem, num intercâmbio biunívoco, pois, quiçá, o desconhecido motorista não corresponderia a um quinhão relevante a subsistir em estado de inconsciência na mente daquele que interpreta os versos?!

O passeio num bosque de incógnitas expectativas permite maravilhamentos insuspeitados para alguém que caminha por áridas sendas: miríades de epifanias e de conexões vêm à tona quando se abre o espírito ao imenso céu azul ou a um mar sem fronteiras, liberando a vista a horizontes com potencial para redefinir o que sejam as nossas fugazes vidas!

J.A.R. – H.C.

 

Steven Bauer

(n. 1948)

 

Intro to Poetry

 

You thought it was math that taught

the relation of time and speed

but it’s farther than you knew

from that sun-lit white-walled classroom

to this darkened lounge with its couch

and overstuffed chairs. How many miles,

would you say, since you talked

as if poetry were no distorting mirror,

one-way street? But listen, sometimes

it’s like this, a stranger’s Ford pulls up,

and you, with no plans for the afternoon,

get in. He doesn’t talk, stares at the road

and it’s miles before you understand

you didn’t want to travel. His lips say no

as you reach for the radio’s knob.

 

In this silence you fall deeper

into yourself, and even the car

disappears, the stranger’s face blurs

into faded upholstery, and all things

being equal, you’re alone as though

you’ve wandered into a forest with night

coming on, no stars, the memory of sun

and a voice’s asking Is this my life?

 

Charminar

(Iruvan Karunakaran: pintor indiano)

 

Introdução à Poesia

 

Pensavas que era a matemática que ensinava

a relação entre tempo e velocidade,

mas há mais distância do que a que imaginavas

desde aquela sala de aula de paredes brancas

iluminadas pelo sol

até esta sala escura com seu sofá

e cadeiras estofadas. Quantas milhas,

dirias, desde o ponto em que falavas

como se a poesia não fosse um espelho

de distorção,

uma rua de mão única? Mas escuta, às vezes

é assim, o Ford de um desconhecido encosta

rente ao meio-fio,

e tu, sem planos para a tarde,

nele entras. Ele nada diz, encara fixamente a estrada

e milhas se passam até que compreendas

que não querias viajar. Seus lábios dizem não

assim que alcanças o botão do rádio.

 

Nesse silêncio, imerges mais profundamente

em ti mesmo, e até mesmo o carro

desaparece, o rosto do desconhecido se esboroa

numa tapeçaria descolorida, e tudo o mais em

igualdade de condições, estás sozinho como se

houvesses vagado por um bosque com a noite

a se acercar, sem estrelas, a lembrança do sol

e uma voz que te pergunta Esta é a minha vida?


Referência:

BAUER, Steven. Intro to poetry. In: MAYES, Frances. The discovery of poetry: a field guide to Reading and writing poems. 1st Harvest ed. San Diego, CA: Harvest & Harcout, 2001. p. 23-24.

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