Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 25 de abril de 2021

Louise Herlin - A beleza

A poetisa nos fala da beleza da juventude, estampada nos rostos das adolescentes, recém-saídas da infância, com quem se depara nos vagões de metrô, uma beleza que explicita a “perfeição das formas perecíveis”, cujo contraste se consolida no discurso da voz lírica, a se reportar à marcha de seu próprio envelhecimento.

O tema da passagem do tempo e da transitoriedade da beleza física vezes sem conta aparece nas criações poéticas de todas as épocas: a mente divaga pelos meandros do passado e por sua mística ilusória, centrada no tangível e no temporal, num obstinado afã de suplantá-los mediante a magnanimidade e o refinamento de verdades eternas, alcançadas pela iluminação do espírito.

J.A.R. – H.C.

 

Louise Herlin

(n. 1925)

 

La beauté

 

Merveille des visages neufs de jeunes filles

A peine écloses de l’enfance, leur teint de lys

Et de rose – incarnat incarnant la lettre

Le dessin sûr des lèvres, la courbe des joues...

Dans ce wagon de métro un après-midi

D’été suant parmi les figures défaites,

Les yeux las des usagers de cinq heures

 

Insolente beauté, insolite, surgie

A quelle fin sinon – étonnantes

Fleurs de chair fragile ouvrées a l’aveugle

Au fil des générations – pour émouvoir

Chez l’incrédule Ie sens de la perfection

Des formes périssables?... cause de passions

Légendaires – fables dont la pérennité

Se ressource tandis que nous vieillissons

 

Companheiras de Viagem

(Augustus Leopold Egg: pintor inglês)

 

A beleza

 

Que maravilha os novos rostos dessas mocinhas

Recém-saídas da infância, a sua tez de lírio

E rosa – o encarnado incorporado aos traços

O desenho firme dos lábios, a curva das bochechas...

Neste vagão de metrô numa tarde de verão

Transpirando entre as figuras derrotadas,

Os olhos cansados dos usuários das cinco da tarde

 

Insolente beleza, insólita, surgida

Com que outro propósito – estonteantes

Flores de carne frágil moldadas às cegas

Ao longo de gerações – senão o de suscitar

No incrédulo o sentido de perfeição

Das formas perecíveis?... causa de paixões

Legendárias – fábulas cuja perenidade

Se renova à medida que envelhecemos


Referência:

HERLIN, Louise. La beauté. In: SORRELL, Martin (Compiler and translator). Elles: a bilingual anthology of modern french poetry by women (French x English). Afterword by Jacqueline Chénieux-Gendron. 1st publ. Exeter, EN: University of Exeter Press, 1995. p. 86.

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