Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

terça-feira, 27 de abril de 2021

Lord Byron - Sol dos Insones

Se não houver erro, Byron reporta-se à lua como se fosse o sol que brilha para os insones: segundo o poeta, é pelo brilho dessa “estrela melancólica” que somos capazes de notar a escuridão da noite em curso, quando, de fato, mais notória para cada um de nós é a noite que, a tudo anuviando, acaba por dar acento diferenciado à luz refletida pelo satélite.

A propósito, a mensagem principal do poema emerge exatamente dessa luz: o ocorrido no dia que se encerra, à luz do sol, resta superado pela luz lunar revérbera da noite sucedânea, intimamente absorvida pela voz lírica em uma entonação elegíaca, eis que, embora distinta, esplende distante, esmaecida e fria – como os transcorridos estados de felicidade, que vão se desvanecendo da memória.

J.A.R. – H.C.

 

Lord Byron

(1788-1824)

Por Théodore Géricault

 

Sun of the Sleepless

 

Sun of the Sleepless! melancholy star!

Whose tearful beam glows tremulously far,

That show’st the darkness thou canst not dispel,

How like art thou to Joy remembered well!

So gleams the past, the light of other days,

Which shines but warms not with its powerless rays:

A night-beam Sorrow watcheth to behold,

Distinct, but distant – clear – but, oh, how cold!

 

From: “Hebrew Melodies” (1815)

 

Amanhecer depois de uma noite insone

(Herold Boertjens: artista holandês)

 

Sol dos Insones

 

Sol dos insones! merencório astro!

Tu, cujo raio lacrimoso ao longe

Tremulamente brilha; tu, que as trevas

Nos mostras, cujo véu rasgar não podes,

Oh! como te pareces co’a ventura

Que profunda lembrança após deixara!

Assim fulge o passado, doutras eras

Luz, cujos raios frouxamente esplendem

Sem jamais aquecerem: luz noturna

Que em constante vigília a Dor contempla,

Luz distinta e distante ao mesmo tempo,

Límpida e clara e desmaiada e fria!

 

De: “Melodias Hebraicas” (1815)


Referências:

Em Inglês

BYRON, Lord. Sun of the sleepless. In: __________. The works of Lord Byron: in five volumes. Vol. IV. 2nd ed. Leipzig, DE: Bernhard Tauchnitz, 1866. p. 14. (‘Collection of British Authors’; vol. XI)

Em Português

BYRON, Lord. Sol dos insones. Tradução de Antônio Franco da Costa Meireles. In: __________. As trevas e outros poemas. Organização de Cid Vale Ferreira. Vários tradutores. São Paulo, SP: Saraiva, 2007. p. 41. (‘Clássicos Saraiva’)

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