Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

João de Jesus Paes Loureiro - Amor

“Nunca contentar-se de contente” é o amor, já dizia o vate lusitano. E sobre o sentimento já correram rios de linhas dos mais distintos matizes – irônicos, sarcásticos, devastadores ou atilados −, todos a confluir a um oceano que abarca, como também na metáfora de Stendhal, a “mais alta febre da existência”, uma quimera que atrai “seres alados” até a “orla do oceano da beleza universal”.

Há quem o pondere mais desconfiadamente: C. S. Lewis via-o como um investimento não seguro, pleno de vulnerabilidades. Ou o subtraia à visão, como Shakespeare, a afirmar que o amor não olha com os olhos, mas com a mente. E neste caso, há um embate com o ponto de vista do autor paraense: Loureiro afirma que não há outro lugar que o sinta mais presente do que nos “vagos-lumes” do olhar da amada, logo pressupõe-se que esteja com os olhos bem abertos!

J.A.R. – H.C.

João de Jesus Paes Loureiro
(n. 1939)

Amor

Esse pássaro que passa
voando nas asas
da luz do sol
é como se levasse meu destino,
como se fosse
a despregada vela
desta manhã navegante
ou breve acenar de uma quimera.

O amor até que pode ser
um voo de pássaro
no mais alto do ser,
na mais alta febre da existência.
Pode ser coisa de seres
alados, leves
na orla do oceano da beleza universal.
Pode ser.
Mas, onde mais o sinto
é quando reluz nos vagos-lumes do teu olhar...

Vitória-régia da Amazônia
(Sandra Filardi: pintora brasileira)

Referência:

LOUREIRO, João de Jesus Paes. Amor. In: __________. O ser aberto: poesia. Belém, PA: Cultural Brasil & CEJUP, 1991. p. 61.

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