Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sábado, 2 de junho de 2018

Enrique González Martínez - Para um livro ‎

O poeta faz a exegese de sua própria obra neste poema – uma associação da inquietude que lhe assola o espírito com a vida que é de todos –, ele que, médico de formação, aprendeu a auscultar o ser humano, misto de luzes e sombras a beirar a eternidade ou o desterro.

É para um livro futuro que Martínez escreveu tais versos, isto podendo representar quer o propósito óbvio e imediato de levar os seus poemas a prelo daí a pouco, quer ainda a hipotética pretensão de que o livro em apreço perdure num porvir, por força de sua mensagem humana – profunda e tão estritamente humana.

J.A.R. – H.C.

Enrique González Martínez
(1871-1952)

Para un libro

Quiero con mano firme y con aliento puro,
escribir estos versos para un libro futuro:

Este libro es mi vida... No teme la mirada
aviesa de los hombres; no hay en sus hojas nada
que no sea la frágil urdimbre de otras vidas:
ímpetus y fervores, flaquezas y caídas.
La frase salta a veces palpitante y desnuda;
otras, con el ropaje del símbolo se escuda
de viles suspicacias. Aquel a quien extrañe
este pudor del símbolo, que no lo desentrañe.
Este libro no enseña, no conforta, ni guia,
y la inquietud que esconde es solamente mía;
mas en mis versos flota, diafanidad o arcano,
la vida que es de todos. Quien lea, no se asombre
de hallar en mis poemas la integridad de un hombre,
sin nada que no sea profundamente humano.

Natureza Morta com Livros
(Olga Vlasova: pintora russa)

Para um livro

Com mão firme e com ânimo puro, quero
escrever estes versos para um livro futuro:

Este livro é minha vida... Não teme o olhar
pravo dos homens; em suas folhas nada há
que não seja a frágil trama de outras vidas:
ímpetos e fervores, fraquezas e prostrações.
A frase salta às vezes palpitante e desnuda;
outras, com a roupa do símbolo protege-se
de vis suspeitas. Aquele a quem surpreenda
este pudor do símbolo, que não o deslinde.
Este livro não ensina, nem conforta ou guia,
e a inquietude que esconde é minha apenas;
mas secreta ou à luz, flutua em meus versos
a vida que é de todos. Não se espante quem
o leia, ao deparar com a integridade de um
homem em meus poemas, sem relação com
nada que não seja profundamente humano.

Referência:

MARTÍNEZ, Enrique González. Para un libro. In: __________. Antología de su obra poética. Selección y prólogo de Jaime Torres Bodet. 1. ed. México, DF: Fondo de Cultura Económica, 1971. p. 94.

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