Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Sylvia Plath - A noite dança

A energia emocional contida neste poema de Sylvia Plath é soberba, uma espécie de liberação em seu ofício. Compõe ele a obra “Ariel”, a sua última antes do suicídio em 1963, embora somente publicada dois anos depois.

Trata-se de um poema povoado por poucos vestígios associados a pessoas, desde o momento em que se inicia, endereçado a uma presumível ente amado, até a inflexão que se observa, do meio do poema para frente, quando então tudo são ponderações abstratas que talvez reflitam o estado emocional de momento de Sylvia.

A poesia é exatamente isso: um recurso para superar, ou melhor, expandir os limites da linguagem, de forma a representar uma dada experiência humana muitas vezes abstrata, outras tantas mundana, à luz de um núcleo emocional intangível, mas inteligível – ou pelo menos compreensível empaticamente.

Bem, se tal conceito de poesia seja estranho ao que seja a própria poesia, pelo menos tentei visualizá-la dentro de um padrão que desse conta das possíveis interpretações que o poema desta postagem é capaz de desencadear...

J.A.R. – H.C.

Sylvia Plath
(1932-1963)

The night dances

A smile fell in the grass.
Irretrievable!

And how will your night dances
Lose themselves. In mathematics?

Such pure leaps and spirals −
Surely they travel

The world forever, I shall not entirely
Sit emptied of beauties, the gift

Of your small breath, the drenched grass
Smell of your sleeps, lilies, lilies.

Their flesh bears no relation.
Cold folds of ego, the calla,

And the tiger, embellishing itself −
Spots, and a spread of hot petals.

The comets
Have such a space to cross,

Such coldness, forgetfulness.
So your gestures flake off −

Warm and human, then their pink light
Bleeding and peeling

Through the black amnesias of heaven.
Why am I given

These lamps, these planets
Falling like blessings, like flakes

Six sided, white
On my eyes, my lips, my hair

Touching and melting.
Nowhere.

(6 November 1962)

Noite Dançante
(Margie Pye: artista norte-americana)

A noite dança

Um sorriso caiu na relva.
Irrecuperável?

E como se perderam
Tuas danças noturnas? Em matemáticas?

Esses puros saltos e espirais –
Seguramente percorrem

O mundo para sempre, não ficarei em absoluto
Sentada e vazia de belezas, a dádiva

De teu pequeno suspiro, a grama drenada
Olor de teus sonhos, lírios e lírios.

Tua polpa não suporta nenhuma relação.
Frias dobras do ego, o copo-de-leite,

E a tigrídia engalanando-se –
Pintas e uma difusão de pétalas quentes.

Os cometas
Têm tanto espaço para atravessar,

Tanta frieza, olvido.
Assim que teus gestos se esfoliam –

Cálidos e humanos, então a tua luz rosa
Sangra e descama

Ao longo das negras amnésias do paraíso.
Por que sou eu agraciada

Com essas lâmpadas, esses planetas
Que caem como bênçãos, como copos

Hexagonais, brancos
Sobre os meus olhos, meus lábios, meu cabelo

Que se fundem ao toque.
Em parte alguma.

Referência:

PLATH, Sylvia. The night dances. In: __________. The collected poems. Edited by Ted Hughes. 4th ed. New York, NY: Harper & Row, 1981. p. 249-250.

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