Alpes Literários
Subtítulo
domingo, 28 de outubro de 2018
João Guimarães Rosa - Gargalhada
sábado, 27 de outubro de 2018
#EleNão: Mais algumas máximas de um tosco candidato a Presidente da República na Câmara de Deputados
Demetrius Capetanakis - Abel
A história fratricida de Caim e Abel, lavrada nas páginas bíblicas do Gênesis, contada pela perspectiva deste último: tal é o enredo deste poema, concebido por Capetanakis, poeta de origem grega, radicado em Londres, onde veio a falecer, depois de ali permanecer por pouco mais de meia década.
Abel não culpa a natureza malévola do irmão pelo ocorrido, senão a ambiguidade das coisas, dando margem a que nossas vidas apresentem significação nas imediações da morte, bem assim o amor muito perto esteja do ódio. Conclui o poeta: “Sou o meu irmão a abrir o portão”, pelo que infiro tratar-se do portão que dá acesso ao outro lado da existência.
J.A.R. – H.C.Abel
My brother Cain, the wounded, liked to sit
Brushing my shoulder, by the staring water
Of life, or death, in cinemas half-lit
By scenes of peace that always turned to slaughter.
He liked to talk to me. His eager voice
Whispered the puzzle of his bleeding thirst,
Or prayed me not to make my final choice
Unless we had a chat about it first.
And then he chose the final pain for me.
I do not blame his nature: he’s my brother;
Nor what you call the times: our love was free,
Would be the same at any time; but rather
The ageless ambiguity of things,
Which makes our life mean death, our love be hate.
My blood that streams across the bedroom sings
“I am my brother opening the gate.”
Abel
Meu irmão Caim, o repulso, costumava sentar-se
Roçando-me o ombro, olhando fixamente a água
Da vida ou da morte, em cines meio iluminados
Por cenas de paz que logo viravam massacre.
Ele gostava de falar comigo. Sua ansiosa voz
Sussurrava o enigma de sua sede sangrenta,
Ou implorava-me que não fizesse a opção final
Antes que primeiro conversássemos a respeito.
E logo escolheu o desfecho doloroso para mim.
Não culpo a natureza dele, pois éramos irmãos;
Nem as contingências: livre era o nosso amor,
Seria o mesmo em qualquer situação. Mas, antes,
A eterna ambiguidade das coisas, que dá causa
A que nossa vida denote morte, e o amor, ódio.
Meu sangue que se espalha pelo quarto canta:
“Eu sou o meu irmão que escancara o portão!”
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
#EleNão: Avaaz – Mais fake news (notícias falsas) da campanha de Bolsonaro
1. As urnas eletrônicas NÃO foram fraudadas!
2. Haddad NÃO distribuiu “kit gay” para crianças nas escolas
3. Revistas VEJA e Época NÃO receberam R$ 600 milhões para difamar
Bolsonaro
4. Haddad NÃO convidou Jean Wyllys para ser Ministro da Educação
5. Feministas e grupos anti-Bolsonaro NÃO defecaram OU fizeram sexo
dentro de igrejas evangélicas
6. Haddad e Manuela NÃO estavam conspirando contra o exército e Bolsonaro – e nunca existiu um áudio secreto!
7. Haddad NÃO escreveu um livro encorajando incesto e pedofilia!
#EleNão: 11 razões (da Dilma) para não votar nele e mais 2 para completar o 13
Série “A” 2018 – Fim da 30ª Rodada – Projeções do Modelo Esotérico-Matemático (MEM)
Thomas Hardy - Acaso
Tema que repetidas vezes retorna na ficção e na poesia de Hardy, a aparente aleatoriedade do acaso, capaz de nos colocar sob a alçada da fortuna ou do infortúnio, deixa transparecer, a seu ver, a ausência de um plano divino para os homens, não se podendo acreditar em um deus benevolente ou malévolo, de quem seríamos como que meras briguelas autômatas.
Vemos, então, a contingência e a imprevisibilidade a braços dados com o tempo, para ensejar genuínos problemas, capazes de acarretar má sorte e tribulações, às quais Hardy se submete em resignada amargura, reconhecendo-as imerecidas, do que se infere que contemplava a vida como uma jornada sob o signo da dor e do sofrimento, sem que se possa conhecer das razões que presidem os fatos.
J.A.R. – H.C.
Hap
If but some vengeful god would call to me
From up the sky, and laugh: “Thou suffering thing,
Know that thy sorrow is my ecstasy,
That thy love’s loss is my hate’s profiting!”
Then would I bear it, clench myself, and die,
Steeled by the sense of ire unmerited;
Half-eased in that a Powerfuller than I
Had willed and meted me the tears I shed.
But not so. How arrives it joy lies slain,
And why unblooms the best hope ever sown?
– Crass Casualty obstructs the sun and rain,
And dicing Time for gladness casts a moan...
These purblind Doomsters had as readily strown
Blisses about my pilgrimage as pain.
(1866)
In: “Wessex poems and other verses”
Acaso
Se ao menos do alto me chamasse um deus
De ódio, e risse: “Ó homem coisa-dor,
Teu sofrimento é o júbilo dos céus,
Teu deve-amor é o meu haver-rancor”,
Eu me conformaria, indo ao extremo
De não dobrar-me, réu de juiz verdugo,
Mas orgulhoso que um poder supremo
Me obrigasse a gemer sob o seu jugo.
Mas não. Mal nata, a Alegria já é Morte,
E num ofego a Esperança se afoga;
Brinca de sol e chuva o tempo, e joga
Dados trocados com meu crepe a Sorte.
Tais juízes viciados são bem loucos:
Condenam-me a viver, mas pouco, e aos poucos.
(1866)
Em: “Poemas de Wessex e outros versos”
Referências:
Em Inglês
HARDY, Thomas. Hap. In: __________. The collected poems of Thomas Hardy. Introduction, bibliography and glossary by Michael Irwin. Ware, EN: Wordsworth Editions, 2002. p. 7. (“Wordsworth Poetry Library”)
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