Com o seu mais do que
conhecido linguajar grandiloquente, lírico, encomiástico, perpassado por imagens
cristalinas, imperativos, apóstrofes e reiteradas evocações, o escritor e poeta
francês revela-se um combatente otimista, ao proclamar a união indissolúvel
entre a criação artística e a luta por liberdade e pela dignidade humana, ou
mais amplamente, pelos ideais democráticos e republicanos.
Firmado nos pilares
da Arte e do Povo, este manifesto poético enaltece aquela como sendo a máxima
expressão do espírito humano, fonte de luz, beleza e harmonia, constituindo-se
em poderoso instrumento para a libertação intelectual, zetética e política; e
este – especialmente o povo francês –, como agente de progresso e de esperança
para o mundo, cujo canto lança reptos aos tiranos e conclama a todos a um agir
consciente contra as injustiças sociais.
J.A.R. – H.C.
Victor Hugo
(1802-1885)
L’Art et le Peuple
I
L’art, c’est la
gloire et la joie.
Dans la tempête il
flamboie;
Il éclaire le ciel
bleu.
L’art, splendeur universelle,
Au front du peuple
étincelle,
Comme l’astre au
front de Dieu.
L’art est un champ
magnifique
Qui plaît au coeur
pacifique,
Que la cité dit aux
bois,
Que l’homme dit à la
femme,
Que toutes les voix
de l’âme
Chantent en choeur à
la fois!
L’art, c’est la
pensée humaine
Qui va brisant toute
chaîne!
L’art, c’est le doux
conquérant!
A lui le Rhin et le
Tibre!
Peuple esclave, il te
fait libre;
Peuple libre, il te
fait grand!
II
Ô bonne France
invincible,
Chante ta chanson
paisible!
Chante, et regarde le
ciel!
Ta voix joyeuse et
profonde
Est l’espérance du
monde,
Ô grand peuple
fraternel!
Bon peuple, chante à
l’aurore,
Quand le soir vient,
chante encore!
Le travail fait la
gaîté.
Ris du vieux siècle
qui passe!
Chante l’amour à voix
basse,
Et tout haut la
liberté!
Chante la sainte
Italie,
La Pologne ensevelie,
Naples qu’un sang pur
rougit,
La Hongrie
agonisante...
Ô tyrans! le peuple
chante
Comme le lion rugit!
(7 novembre 1851)
Dans: “Les
Châtiments” (1853)
Um grupo de pessoas
(Anselmo Guinea y
Ugalde: pintor espanhol)
A Arte e o Povo
I
Arte! és a gloria, a
alegria!
Na tempestade sombria
Dos tempos, – brilhas
melhor;
Vibras centelhas
divinas,
E a fronte ao povo
iluminas
Como um astro
sedutor.
És um hino majestoso
Que as almas enche de
um gozo
Forte, intenso, sem
igual;
Cantam-te em êxtase
fundo
Todas as vezes do
mundo,
Como um coro
universal.
Por armas tendo as ideias,
Quebras todas as
cadeias,
– Tranquilo
conquistador;
Não te resiste o mais
bravo,
Tornas livre um povo
escravo,
E um povo livre –
maior.
II
Oh França invencível,
canta!
Teu hino de paz
levanta,
De olhos fitos na
amplidão;
Ergue a tua voz, oh
França,
Tu que és do mundo a
esperança,
Povo – os povos
irmão!
Canta aos albores da aurora,
Une a tua voz sonora
Ao teu perpetuo
labor!
Ri do século à
vaidade,
Alto canta a
liberdade,
E à meia voz teu
amor.
Canta a Polônia
algemada,
Canta Nápoles banhada
No sangue que inunda
o chão;
Um hino à Hungria
levanta...
– Tiranos! – o povo
canta
Rugindo como um leão!
(7 de novembro de
1851)
Em: “Os Castigos”
(1853)
Referências:
Em Francês
HUGO, Victor. L’art
et le peuple. In: __________. Oeuvres poétiques complètes. Réunies et
présentées par Francis Bouvet. Paris, FR: Jean-Jacques Pauvert Éditeur, 1961. p.
283-284
Em Português
HUGO, Victor. A arte
e o povo. Tradução de Martim Francisco. In: TEIXEIRA, Múcio. Hugonianas:
poesias de Victor Hugo traduzidas por poetas brasileiros. 2. ed. Rio de
Janeiro: Imprensa Nacional, 1885. p. 157-158.
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