Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

terça-feira, 19 de maio de 2026

Victor Hugo - A Arte e o Povo

Com o seu mais do que conhecido linguajar grandiloquente, lírico, encomiástico, perpassado por imagens cristalinas, imperativos, apóstrofes e reiteradas evocações, o escritor e poeta francês revela-se um combatente otimista, ao proclamar a união indissolúvel entre a criação artística e a luta por liberdade e pela dignidade humana, ou mais amplamente, pelos ideais democráticos e republicanos.

 

Firmado nos pilares da Arte e do Povo, este manifesto poético enaltece aquela como sendo a máxima expressão do espírito humano, fonte de luz, beleza e harmonia, constituindo-se em poderoso instrumento para a libertação intelectual, zetética e política; e este – especialmente o povo francês –, como agente de progresso e de esperança para o mundo, cujo canto lança reptos aos tiranos e conclama a todos a um agir consciente contra as injustiças sociais.

 

J.A.R. – H.C.

 

Victor Hugo

(1802-1885)

 

L’Art et le Peuple

 

I

 

L’art, c’est la gloire et la joie.

Dans la tempête il flamboie;

Il éclaire le ciel bleu.

L’art, splendeur universelle,

Au front du peuple étincelle,

Comme l’astre au front de Dieu.

 

L’art est un champ magnifique

Qui plaît au coeur pacifique,

Que la cité dit aux bois,

Que l’homme dit à la femme,

Que toutes les voix de l’âme

Chantent en choeur à la fois!

 

L’art, c’est la pensée humaine

Qui va brisant toute chaîne!

L’art, c’est le doux conquérant!

A lui le Rhin et le Tibre!

Peuple esclave, il te fait libre;

Peuple libre, il te fait grand!

 

II

 

Ô bonne France invincible,

Chante ta chanson paisible!

Chante, et regarde le ciel!

Ta voix joyeuse et profonde

Est l’espérance du monde,

Ô grand peuple fraternel!

 

Bon peuple, chante à l’aurore,

Quand le soir vient, chante encore!

Le travail fait la gaîté.

Ris du vieux siècle qui passe!

Chante l’amour à voix basse,

Et tout haut la liberté!

 

Chante la sainte Italie,

La Pologne ensevelie,

Naples qu’un sang pur rougit,

La Hongrie agonisante...

Ô tyrans! le peuple chante

Comme le lion rugit!

 

(7 novembre 1851)

 

Dans: “Les Châtiments” (1853)

 

Um grupo de pessoas

(Anselmo Guinea y Ugalde: pintor espanhol)

 

A Arte e o Povo

 

I

 

Arte! és a gloria, a alegria!

Na tempestade sombria

Dos tempos, – brilhas melhor;

Vibras centelhas divinas,

E a fronte ao povo iluminas

Como um astro sedutor.

 

És um hino majestoso

Que as almas enche de um gozo

Forte, intenso, sem igual;

Cantam-te em êxtase fundo

Todas as vezes do mundo,

Como um coro universal.

 

Por armas tendo as ideias,

Quebras todas as cadeias,

– Tranquilo conquistador;

Não te resiste o mais bravo,

Tornas livre um povo escravo,

E um povo livre – maior.

 

II

 

Oh França invencível, canta!

Teu hino de paz levanta,

De olhos fitos na amplidão;

Ergue a tua voz, oh França,

Tu que és do mundo a esperança,

Povo – os povos irmão!

 

Canta aos albores da aurora,

Une a tua voz sonora

Ao teu perpetuo labor!

Ri do século à vaidade,

Alto canta a liberdade,

E à meia voz teu amor.

 

Canta a Polônia algemada,

Canta Nápoles banhada

No sangue que inunda o chão;

Um hino à Hungria levanta...

– Tiranos! – o povo canta

Rugindo como um leão!

 

(7 de novembro de 1851)

 

Em: “Os Castigos” (1853)

 

Referências:

 

Em Francês

 

HUGO, Victor. L’art et le peuple. In: __________. Oeuvres poétiques complètes. Réunies et présentées par Francis Bouvet. Paris, FR: Jean-Jacques Pauvert Éditeur, 1961. p. 283-284

 

Em Português

 

HUGO, Victor. A arte e o povo. Tradução de Martim Francisco. In: TEIXEIRA, Múcio. Hugonianas: poesias de Victor Hugo traduzidas por poetas brasileiros. 2. ed. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1885. p. 157-158.

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