O que sabemos sobre a
nossa própria condição de mortais e, por extensão, sobre os enigmas não decifrados
do universo, mantidos incógnitos a sete chaves pelas potestades criadoras? Para
além da aniquilação absoluta e irreversível do ser consciente, o que há de existir
como verdades últimas, às quais não temos ciência prévia neste plano de
efemeridades?
É com esse tom cético
– e até mesmo niilista – que o poeta persa se debruça sobre o futuro, sem
vislumbrar a possibilidade de que venhamos a transcender a morte, pois que,
desde logo, incorrem em frustração as nossas reiteradas tentativas de apreender
os mistérios essenciais – permanentemente velados –, quanto mais depois que desta
vida partirmos.
J.A.R. – H.C.
Omar Khayyám
(1048-1131)
16. Se o coração devassasse os mistérios
Se o coração devassasse os mistérios
e conhecesse a origem
da vida,
tal qual é, na
realidade,
ele decifraria
também,
após a morte,
o enigma dos deuses.
Homem,
das existências do
Universo
tu nada sabes,
embora ainda estejas
animado
pela força da tua
alma.
Que poderás tu saber
amanhã,
quando morreres,
e a tua alma morrer
contigo?
Amanhã,
quando acabares,
e tudo acabar,
para sempre,
para sempre?
Marchadores no Tempo
(John Pitre: artista
norte-americano)
Referência:
KHAYYÁM, Omar. 16. Se o coração devassasse os mistérios. Tradução de Christovam de Camargo. In: __________. Rubáiyát. Versão ao português de Christovam de Camargo baseada na interpretação literal do texto persa feita por Ragy Basile. São Paulo, SP: Martin Claret, 2003. p. 38. (Coleção “A Obra-Prima de Cada Autor”; v. 156)
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