Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sábado, 2 de maio de 2026

Maya Angelou - A Vida não Me Amedronta

Quer imaginários, quer reais, quer ainda viscerais, os medos que sentimos podem nos paralisar e, para tanto, a voz lírica nos propõe estratégias para neutralizá-los, impedindo-os de nos governar: autoestima, confiança e fé em si mesmo, tendo ainda a imaginação como escudo, são a “fórmula mágica” que nos permite “caminhar pelo fundo do mar”, sem nos afogarmos nas adversidades.

 

Expressa com a simplicidade de uma canção para infantes, a mensagem do infratranscrito poema estimula o empoderamento ativo, especialmente naqueles que mais ameaças enfrentam – como os menores e as minorias oprimidas. Se o medo existe – pontua a falante –, acha-se circunscrito a um âmbito limitado – o dos sonhos –, no qual as emoções não têm poder sobre o eu desperto e consciente, robustecido pela tríade da serenidade, resiliência e autodeterminação.

 

J.A.R. – H.C.

 

Maya Angelou

(1928-2014)

 

Life Doesn’t Frighten Me

 

Shadows on the wall

Noises down the hall

Life doesn’t frighten me at all

Bad dogs barking loud

Big ghosts in a cloud

Life doesn’t frighten me at all.

 

Mean old Mother Goose

Lions on the loose

They don’t frighten me at all

Dragons breathing flame

On my counterpane

That doesn’t frighten me at all.

 

I go boo

Make them shoo

I make fun

Way they run

I won’t cry

So they fly

I just smile

They go wild

Life doesn’t frighten me at all.

 

Tough guys fight

All alone at night

Life doesn’t frighten me at all

Panthers in the park

Strangers in the dark

No, they don’t frighten me at all.

 

That new classroom where

Boys all pull my hair

(Kissy little girls

With their hair in curls)

They don’t frighten me at all.

 

Don’t show me frogs and snakes

And listen for my scream,

If I’m afraid at all

It’s only in my dreams.

 

I’ve got a magic charm

That I keep up my sleeve,

I can walk the ocean floor

And never have to breathe.

 

Life doesn’t frighten me at all

Not at all

Not at all.

Life doesn’t frighten me at all.

 

Os medos da vida

(YuYang [Nisky]: artista chinês)

 

A Vida não Me Amedronta

 

Sombras na parede

Barulhos no corredor

A vida não me amedronta nem um pouco

Cães bravios latindo alto

Grandes assombrações numa nuvem

A vida não me amedronta nem um pouco.

 

Velha e má Mamãe Gansa

Leões à solta

Eles não me amedrontam nem um pouco

Dragões soprando chamas

Em minha coberta

Isso não me amedronta nem um pouco.

 

Faço ecoar um “buuu!”

E os disperso

Divirto-me

Ao vê-los fugir

Jamais me farão chorar

Então batem em retirada

E apenas sorrio

Enquanto eles se enfurecem

A vida não me amedronta nem um pouco.

 

Valentões sozinhos

Metidos em briga a noite inteira

A vida não me amedronta nem um pouco

Panteras no parque

Estranhos na escuridão

Não, eles não me amedrontam nem um pouco.

 

Aquela nova sala de aula

Onde todos os meninos puxam meu cabelo

(Garotinhas melosas

Com madeixas encaracoladas)

Eles não me amedrontam nem um pouco.

 

Não me mostre sapos e serpentes

À espera de ouvir meus gritos,

Somente em meus pesadelos

É que sou refém de temores.

 

Tenho uma fórmula mágica

Que guardo em minha manga,

Posso percorrer o fundo do oceano

Sem necessidade alguma de respirar.

 

A vida não me amedronta nem um pouco

Nem um pouco

Nem um pouco

A vida não me amedronta nem um pouco.

 

Referência:

 

ANGELOU, Maya. Life doesn’t frighten me. In: ESIRI, Allie (Ed.). A poem for every day of the year. Illustrated by Zanna Goldhawk. 1st publ. London, EN: Macmillan Children’s Books, 2017. p. 226-227.

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