Quer imaginários,
quer reais, quer ainda viscerais, os medos que sentimos podem nos paralisar e,
para tanto, a voz lírica nos propõe estratégias para neutralizá-los, impedindo-os
de nos governar: autoestima, confiança e fé em si mesmo, tendo ainda a
imaginação como escudo, são a “fórmula mágica” que nos permite “caminhar pelo
fundo do mar”, sem nos afogarmos nas adversidades.
Expressa com a simplicidade
de uma canção para infantes, a mensagem do infratranscrito poema estimula o
empoderamento ativo, especialmente naqueles que mais ameaças enfrentam – como
os menores e as minorias oprimidas. Se o medo existe – pontua a falante –, acha-se
circunscrito a um âmbito limitado – o dos sonhos –, no qual as emoções não têm
poder sobre o eu desperto e consciente, robustecido pela tríade da serenidade, resiliência
e autodeterminação.
J.A.R. – H.C.
Maya Angelou
(1928-2014)
Shadows on the wall
Noises down the hall
Life doesn’t frighten me at all
Bad dogs barking loud
Big ghosts in a cloud
Life doesn’t frighten me at all.
Mean old Mother Goose
Lions on the loose
They don’t frighten me at all
Dragons breathing flame
On my counterpane
That doesn’t frighten me at all.
I go boo
Make them shoo
I make fun
Way they run
I won’t cry
So they fly
I just smile
They go wild
Life doesn’t frighten me at all.
Tough guys fight
All alone at night
Life doesn’t frighten me at all
Panthers in the park
Strangers in the dark
No, they don’t frighten me at all.
That new classroom where
Boys all pull my hair
(Kissy little girls
With their hair in curls)
They don’t frighten me at all.
Don’t show me frogs and snakes
And listen for my scream,
If I’m afraid at all
It’s only in my dreams.
I’ve got a magic charm
That I keep up my sleeve,
I can walk the ocean floor
And never have to breathe.
Life doesn’t frighten me at all
Not at all
Not at all.
Life doesn’t frighten me at all.
Os medos da vida
(Yu Yang [Nisky]: artista
chinês)
A Vida não Me Amedronta
Sombras na parede
Barulhos no corredor
A vida não me
amedronta nem um pouco
Cães bravios latindo
alto
Grandes assombrações
numa nuvem
A vida não me
amedronta nem um pouco.
Velha e má Mamãe
Gansa
Leões à solta
Eles não me
amedrontam nem um pouco
Dragões soprando
chamas
Em minha coberta
Isso não me amedronta
nem um pouco.
Faço ecoar um “buuu!”
E os disperso
Divirto-me
Ao vê-los fugir
Jamais me farão
chorar
Então batem em
retirada
E apenas sorrio
Enquanto eles se
enfurecem
A vida não me
amedronta nem um pouco.
Valentões sozinhos
Metidos em briga a
noite inteira
A vida não me
amedronta nem um pouco
Panteras no parque
Estranhos na
escuridão
Não, eles não me
amedrontam nem um pouco.
Aquela nova sala de
aula
Onde todos os meninos
puxam meu cabelo
(Garotinhas melosas
Com madeixas
encaracoladas)
Eles não me
amedrontam nem um pouco.
Não me mostre sapos e
serpentes
À espera de ouvir
meus gritos,
Somente em meus
pesadelos
É que sou refém de
temores.
Tenho uma fórmula
mágica
Que guardo em minha manga,
Posso percorrer o
fundo do oceano
Sem necessidade
alguma de respirar.
A vida não me
amedronta nem um pouco
Nem um pouco
Nem um pouco
A vida não me
amedronta nem um pouco.
Referência:
ANGELOU, Maya. Life doesn’t frighten me. In: ESIRI, Allie (Ed.). A poem for every day of the year. Illustrated by Zanna Goldhawk. 1st publ. London, EN: Macmillan Children’s Books, 2017. p. 226-227.
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