Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sexta-feira, 20 de março de 2026

Rubén Darío - Balada da linda menina do Brasil

Esclareça-se, de início, que a designada “linda menina do Brasil”, a que se dirige o poeta nicaraguense, era ninguém menos do que a filha do diplomata gaúcho – e também poeta – Fontoura Xavier (1856-1922): ela surge no poema como uma figura feminina idealizada, símbolo de pureza e de perfeição, de um país não menos idealizado – o Brasil –, uma terra de tesouros, onde reina o amor em meio à natureza exuberante.

 

Darío exalta, com a sua lírica de certo modo já inclinada aos padrões modernistas, a beleza, a juventude e o exotismo da “terra brasilis”, um “mágico Eldorado”, onde o tempo transcorre suavemente, “sobre diamantes e sob estrelas”, e se pode usufruir de uma intérmina felicidade. Um idílio, obviamente, que só se mantém nos escaninhos da Literatura! (rs)

 

J.A.R. – H.C.

 

Rubén Darío

(1867-1916)

 

Balada de la bella niña del Brasil

 

Existe un país encantado

donde las horas son tan bellas

que el tiempo va a paso callado

sobre diamantes, bajo estrellas.

Odas, cantares o querellas

se lanzan al aire sutil

en gloria de perpetuo Abril,

pues allí, la flor preferida

para mí es Anna Margarída,

la bella niña del Brasil.

 

Existe un mágico Eldorado

en donde Amor de rey está,

donde hay Tijuca y Corcovado

y donde canta el sabia.

El tesoro divino da

allí mil hechizos y mil

sueños; mas nada tan gentil

como la flor de alba encendida

que he visto en Anna Margarída,

la única bella del Brasil.

 

Dulce, dorada y primorosa,

infanta de lírico rey,

es una princesita rosa

que amara Kate-Greenaway. (*)

Buscará por la eterna ley

el pájaro azul de Tyltil,

sisero, oboe, arpa y añafil,

cuando Aurora a vivir convida,

adorable a Anna Margarida,

la niña bella del Brasil.

 

Envío

 

¡Princesa en flor, nada en la vida

hecho de oro, rosa y marfil,

iguala a esta joya querida:

la pequeña Anna Margarida,

la niña bella del Brasil!

 

París, 1911

 

En: “Canto a la Argentina y otros poemas” (1914)

 

Moça com livro

(Almeida Júnior: pintor brasileiro)

 

Balada da linda menina do Brasil

 

Existe um país encantado

no qual as horas são tão belas

que o tempo desliza calado

sobre diamantes, sob estrelas.

Odes, cantares ou querelas

derramam-se pelo ar sutil

em glória de perpétuo abril.

Pois ali a flor preferida

do canto é Ana Margarida,

linda menina do Brasil.

 

Existe um mágico Eldorado

(e Amor como seu rei lá está)

onde há a Tijuca e o Corcovado

e onde gorjeia o sabiá.

O tesouro divino dá

ali mil feitiços e mil

sonhos; mas nada tão gentil

como o broto de alva incendida

que se chama Ana Margarida,

linda menina do Brasil.

 

Doce, dourada e primorosa

infanta de lírico rei,

E uma princesa cor-de-rosa

que amara Kate Greenaway.

Buscará pela eterna lei

o pássaro azul de Tiltyl?

Eia, oboé, sistro, harpa, anafil:

que hoje aurora a viver convida

a essa rosa Ana Margarida,

linda menina do Brasil.

 

Oferta

 

Princesa em flor, nada na vida,

por mais gracioso ou senhoril,

iguala a esta joia querida:

a pequena Ana Margarida,

linda menina do Brasil.

 

Paris, 1911

 

Em: “Canto à Argentina e outros poemas” (1914)

 

Nota:

 

(*). Kate-Greenaway (1846-1901): ilustradora inglesa, bastante conhecida por seus trabalhos com figuras de crianças, direcionados ao público infantil.

 

Referências:

 

Em Espanhol

 

DARÍO, Rúben. Balada de la bella niña del Brasil. In: __________. Poesía. Editado por Ernesto Mejía Sánchez, con prólogo de Ángel Rama. Caracas, VE: Fundación Biblioteca Ayacucho, 1977. p. 428-429. (Colección “Clásica”; n. 9)

 

Em Português

 

DARÍO, Rúben. Balada da linda menina do Brasil. Tradução de Manuel Bandeira. In: BANDEIRA, Manuel. Poemas traduzidos. 3. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1956. p. 73-74. (Coleção “Rubáiyát”)

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