Cada indivíduo é um
mundo, povoado por uma multiplicidade de identidades e de experiências que lhe
são próprias, vivenciadas a partir das interações com os pares, os quais, por
sua vez, com os seus atos e omissões, nos trazem influxos cujas consequências
nem sempre estamos plenamente conscientes dos seus bons ou maus efeitos.
Monarcas de nosso
próprio mundo, somos também súditos em um sentido mais amplo, já que estamos
sujeitos às sobreditas influências e interações com os outros: contrariamente à
ideia de que temos absoluto controle sobre nossa existência, sustenta o poeta
que, no mais das vezes, somos subjugados por forças bem mais além de nossa
compreensão e manejo, como desejos em conflito ou híbridas emoções suscitas
pelo amor e pela morte.
J.A.R. – H.C.
Gunnar Ekelöf
(1907-1968)
En värld är varje människa
En värld är varje
människa, befolkad
av blinda varelser i
dunkelt uppror
mot jaget konungen
som härskar över dem.
I varje själ är tusen
själar fångna,
i varje värld är
tusen världar dolda
och dessa blinda,
dessa undre världar
är verkliga och
levande, fast ofullgångna,
så sant som jag är
verklig. Och vi konungar
och furstar av de tusen
möjliga inom oss
är själva undersåtar,
fångna själva
i någon större
varelse, vars jag och väsen
vi lika litet fattar
som vår överman
sin överman. Av deras
död och kärlek
har våra egna känslor
fått en färgton.
Som när en väldig ångare
passerar
långt ute, under
horisonten, där den ligger
så aftonblank. – Och
vi vet inte om den
förrän en svallvåg når
till oss på stranden,
först en, så ännu en
och många flera
som slår och brusar
till dess allt har blivit
som förut. – Allt är ändå
annorlunda.
Så grips vi skuggor
av en sällsam oro
när något säger oss
att folk har färdats,
att några av de möjliga
befriats.
(Färjesång, 1941)
Borboletas
(Igor Morski: artista
polonês)
Cada homem é um mundo
Cada homem é um
mundo, povoado
por criaturas cegas
em sombria revolta
contra o ego, o rei
que as governa.
Em cada alma há mil
almas cativas,
em cada mundo, mil
mundos ocultos;
e essas criaturas cegas,
esses inframundos
são reais e vivos,
ainda que imperfeitos,
tão tangíveis quanto
real eu sou. E nós, reis
e príncipes a regermos
mil entes em nosso íntimo,
somos súditos no
mesmo ato, aprisionados
a alguma criatura
maior, cujos ser e essência
compreendemos tão
pouco quanto o nosso superior
ao seu superior. De
sua morte e de seu amor
nossos próprios
sentimentos tomaram a cor.
Como quando um enorme
barco a vapor passa
ao longe, sob a linha
do horizonte, onde
fica tão reluzente ao
anoitecer. – E disso só nos
apercebemos quando
uma onda nos chega à costa,
primeiro uma, depois
outra e muitas mais
que rebentam e rugem
até que tudo se torne
como antes. – No
entanto, tudo é diferente.
Assim nós, capturados
pelas sombras de uma
estranha inquietude,
quando algo nos diz
que outros seguiram em frente,
que alguns dentre
aqueles entes se libertaram.
(Canção do Ferribote,
1941)
Referência:
EKELÖF, Gunnar. En
värld är varje mánniska. In: __________. Samlade dikter. Efterskrift av
Anders Olsson. Stockholm, SE: Albert Bonniers Förlag, 2018. s. 226.
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