Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 25 de novembro de 2018

Kóstas Ouránis - A minha vida

Tendo por tema a fugacidade da vida, o poeta nos oferece alegorias sobre a forma como se vê no presente momento, já avançado na idade, quando se costuma metaforizar o período ao crepúsculo da tarde, rumo ao estágio de receios que a noite arrasta, cortada por ventos sob os quais os espíritos somente dúvidas presenciam.

Ouránis sente-se como se fosse uma casa de marujos, há tanto tempo fechada e à beira-mar, sem os barcos, ademais, pois os homens há muito tempo partiram e a abandonaram. E diga-se: a esse ponto chegou depois de lhe haver escorrido os anos como areia pelas mãos, construindo quimeras sem perceber o fluxo do tempo, que logo avançou às raias outonais. E agora, José? – perguntaria Drummond!

J.A.R. – H.C.

Kóstas Ouránis
(1890-1953)

Η ζωη μου

Μιὰ νοσταλγία ὁλάκερη ἡ ζωή μου κι ἕνας πόθος!
Πότε παλάτια θέλοντας χιμαιρικὰ νὰ χτίσω
καὶ πότε ξεφυλλίζοντας τὶς σκέψεις μου σὰ ρόδα
στὸν τάφο τοῦ ὅ,τι πέρασε, – λησμόνησα νὰ ζήσω.
Τὰ χρόνια ἀπὸ τὰ χέρια μου γλιστρήσανε σὰν ἄμμος
ποὺ ὀνειροπόλα δάχτυλα κρατᾶνε, κι ἡ ψυχή μου,
μιὰν ὥρα χινοπωρινὴ ποὺ σήμαιναν καμπάνες,
εἶδε νὰ πέφτει ἀνέκκλητα τὸ Βράδυ στὴ ζωή μου.
Εἶμαι σὰ σπίτι ναυτικῶν στὴ θάλασσα κοντά,
ποὺ οἱ ἄντρες ἐχαθήκανε μαζὶ μὲ τὰ καράβια
καὶ πού, σὰ σκούζει ὁ ἄνεμος τ’ ἀγριεμένα βράδια,
οἱ μάνες καὶ οἱ ἀδερφές, μαυροντυμένες, σκύβουν
τὴν κεφαλὴν ἀμίλητες. σκιαγμένες, σὰ ν’ ἀκοῦνε

στὴν πόρτα, τὴν κατάκλειστη γιὰ πάντα, νὰ χτυποῦνε.

Σε: “Νοσταλγίες” (1920)

Casa-concha do marujo
(Abigail White: pintora norte-americana)

A minha vida

A minha vida toda, nostalgia só e anseios!
Ora eu palácios de quimera edificar queria,
ora então, como rosas, desfolhar meus pensamentos
sobre a tumba do que passa – e de viver me esquecia.
Os anos me correram como areia pelas mãos,
pelos meus dedos sonhadores, e a alma dolorida,
na hora de outono em que os sinos puseram-se a tocar,
viu cair inexorável a Noite em minha vida.
Sou como uma casa de marujos à beira-mar,
cujos homens sumiram juntamente com os barcos;
quando sopram os ventos durante as noites de medo,
suas mães e irmãs, todas elas vestidas de negro,
inclinam as cabeças silentes, apavoradas,

como se ouvissem bater na porta há tanto fechada.

Em: “Nostalgias” (1920)

Referências:

ΟΥΡΆΝΗΣ, Κώστας. Η ζωη μου. Disponível neste endereço. Acesso em: 31 out. 2018.

OURÁNIS, Kóstas. A minha vida. Tradução de José Paulo Paes. In: PAES, José Paulo (seleção e tradução). Poesia moderna da Grécia. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara, 1986. p. 126.
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