Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Hermann Hesse - Bhagavad Gita

Hesse, assim como outros grandes nomes da cultura ocidental – a exemplo de Huxley, Emerson, Thoreau e Jung – fizeram do Bhagavad Gita, um dos livros sagrados dos indianos, roteiro seguro para a detenção de sabedoria de vida e de evolução espiritual, coroando a existência pelo reconhecimento profundo do eu interior.

Sem dúvida, os reflexos da cultura, filosofia e teologia indiana na obra de Hesse – sobretudo em “O Lobo da Estepe” e “Siddartha” – resultaram da longa estada de seus pais na Índia, onde serviram na Estação Missionária Protestante (“Bassel Mission”).

Este poema, como ele mesmo o afirmou, nada mais é do que uma declaração de um homem de origem e de formação cristã, no sentido de compreender outras religiões, principalmente as formas de crença indianas e chinesas, visando descobrir o que é comum a todas as confissões e formas humanas de religiosidade, assim como aquilo que está acima de todas as diferenças nacionais, o que pode ser acreditado e respeitado por todos os povos (HESSE apud SHUKLA, 2010, p. 190-191).

J.A.R. – H.C.

Hermann Hesse
(1877-1962)

Bhagavad Gita

Wieder lag ich schlaflos Stund um Stund,
Unbegriffenen Leids die Seele voll und wund.

Brand und Tod sah ich auf Erden lodern,
Tausende unschuldig leiden, sterben, modern.

Und ich schwor dem Kriege ab im Herzen
Als dem blinden Gott sinnloser Schmerzen.

Und es sprach zu mir den Friedensspruch
Ein uraltes indisches Götterbuch:

“Krieg und Friede, beide gelten gleich,
dein Tod berührt des Geistes Reich.

Darum kämpfe du und lieg nicht stille;
Dass du Kräfte regst, ist Gottes Wille!

Doch ob dein Kampf zu tausend Siegen führt,
Das Herz der Welt schlägt weiter unberührt.”

(September 1914)

Poster do Bhagavad Gita

Bhagavad Gita

Mais uma vez deitado e insone, horas e horas,
a alma ferida e cheia de incrível tristeza.

Incêndio e morte eu via na terra a arder,
mil inocentes a sofrer, morrer, apodrecer.

E no meu coração eu reneguei a guerra,
cega deusa de males e aflições sem sentido.

E eis que me assoma a ressoar, então,
a relembrança da sombria solidão,

e a palavra de paz me vem trazer
de um velho livro sagrado da índia:

“Guerra ou paz, uma ou outra tanto faz,
pois morte alguma afeta o reino do espírito.

Abra-se ou feche-se o pano da paz,
não diminui a penúria do mundo.

Portanto, luta e não fiques inerte:
é desígnio de Deus que cries forças.

Mas, ainda que te leve a luta a mil triunfos,
há de continuar batendo intacto o coração do mundo.”

(Setembro 1914)

Referências:

Em Alemão

HESSE, Hermann. Bhagavad Gita. Disponível neste endereço. Acesso em: 22 jan. 2019.

Em Português

HESSE, Herman. Bhagavad Gita. Tradução de Geir Campos. In: __________. Andares: antologia poética. Tradução de Geir Campos. Rio de Janeiro, RJ: Nova Fronteira, 1976. p. 93.

Outra Referência

SHUKLA, Nilesh M. Bhagavad gita and hinduism: what everyone should know. New Delhi, IN: Readworthy Publications, 2010.

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