Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Bertolt Brecht - Elogio da Dialética ‎

O dramaturgo alemão reforça o poder de mudança que o povo detém, quando resolve ir de encontro à opressão imposta pelos dominadores: segundo ele, nada fica, indefinidamente, como sempre esteve, pois a impermanência heraclitiana é a regra estável que preside a realidade do mundo.

Como se vê, o poema infratranscrito é um dos muitos exemplares engajados da poesia do autor, faceta essa que se estende também às suas obras teatrais, muito voltadas a estimular a consciência política e social das massas, de forma a fazer movimentar a dialética da História: tese, antítese e síntese como nora espiralada que avança sob o influxo do agir humano.

J.A.R. – H.C.

Bertolt Brecht
(1898-1956)

Lob der Dialektik

Das Unrecht geht heute einher mit sicherem Schritt.
Die Unterdrücker richten sich ein auf zehntausend Jahre.
Die Gewalt versichert: So, wie es ist, bleibt es.
Keine Stimme ertönt außer der Stimme der Herrschenden.
Und auf den Märkten sagt die Ausbeutung laut:
Jetzt beginne ich erst.
Aber von den Unterdrückten sagen viele jetzt:
Was wir wollen, geht niemals.
Wer noch lebt, sage nicht: niemals!
Das Sichere ist nicht sicher.
So, wie es ist, bleibt es nicht.
Wenn die Herrschenden gesprochen haben,
Werden die Beherrschten sprechen.
Wer wagt zu sagen: niemals?
An wem liegt es, wenn die Unterdrückung bleibt? An uns.
An wem liegt es, wenn sie zerbrochen wird?
Ebenfalls an uns.
Wer niedergeschlagen wird, der erhebe sich!
Wer verloren ist, kämpfe!
Wer seine Lage erkannt hat, wie soll der aufzuhalten sein?
Denn die Besiegten von heute sind die Sieger von morgen,
Und aus Niemals wird: Heute noch!

O Revolucionário
(Armando Mariño: pintor cubano)

Elogio da Dialética

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante. Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar!
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio? De nós.
De quem depende a sua destruição? Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o “hoje” nascerá do “jamais”.

Referências:

Em Alemão:

BRECHT, Bertot. Lob der dialektik. In: EBRECHT, Katharina. Heiner Müllers lyrik: quellen und vorbilder. Würzburg, DE: Königshauesen & Newmann, 2001. s. 94.

Em Português:

BRECHT, Bertolt. Elogio da dialética. Tradução de Edmundo Moniz. In: __________. Antologia poética. Seleção e tradução de Edmundo Moniz. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: Elo Editora, 1982. p. 71.

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