Alpes Literários

Alpes Literários

Subtítulo

UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 9 de agosto de 2026

Edgar Albert Guest - Apenas um Pai

Neste domingo dedicado aos pais, trago-lhes um poema sobre o tema, no qual o poeta captura a essência da abnegação silenciosa e do amor incondicional que um pai – a exemplo de cada um de nossos pais – sempre busca demonstrar por sua família: enfrentando os desafios diários com resiliência, “o melhor dos homens”, no dizer dos versos, assume zelosamente as suas responsabilidades, postura que se assemelha, sem maiores embargos, à de consecução da jornada arquetípica do herói.

 

Para mais, há nos versos elementos associados à ideia de continuidade e de legado, numa cadeia de amor e de sacrifício que se transmite de geração em geração, outorgando ao seu rol uma dignidade ancestral, ou ainda, uma nobre tradição de paternidade consequente, pelo bem daqueles que ficam à espera da volta dos pais, do trabalho para casa.

 

J.A.R. – H.C.

 

Edgar Albert Guest

(1881-1959)

 

Only a Dad

 

Only a dad, with a tired face,

Coming home from the daily race,

Bringing little of gold or fame,

To show how well he has played the game,

But glad in his heart that his own rejoice

To see him come, and to hear his voice.

 

Only a dad, with a brood of four,

One of ten million men or more.

Plodding along in the daily strife,

Bearing the whips and the scorns of life,

With never a whimper of pain or hate,

For the sake of those who at home await.

 

Only a dad, neither rich nor proud,

Merely one of the surging crowd

Toiling, striving from day to day,

Facing whatever may come his way,

Silent, whenever the harsh condemn,

And bearing it all for the love of them.

 

Only a dad, but he gives his all

To smooth the way for his children small,

Doing, with courage stern and grim,

The deeds that his father did for him.

This is the line that for him I pen,

Only a dad, but the best of men.

 

Família brincando com cata-ventos

(Edward Turner: artista britânico)

 

Apenas um Pai

 

Apenas um pai, com um rosto cansado,

Regressando da faina diária para casa,

Com módica paga de ouro ou fama,

A pouco retribuir o quão bem devotou-se à lida,

Mas feliz em seu coração pelos seus se alegrarem

Ao vê-lo chegar e escutar a sua voz.

 

Apenas um pai, com uma prole de quatro filhos,

Um entre dez milhões de homens ou mais.

Arrastando-se penosamente na labuta quotidiana,

Sujeitando-se aos açoites e aos desprezos da vida,

Jamais com um vociferar de dor ou de ódio,

Pelo bem daqueles que no lar o esperam.

 

Apenas um pai, nem rico nem vaidoso,

Somente um em meio à crescente multidão, 

Laborando, esforçando-se dia após dia,

Enfrentando o que quer que se lhe apresente,

Em silêncio sempre que os ríspidos improbam,

E tudo a suportar por amor aos de casa.

 

Apenas um pai, mas que se dedica a dar tudo de si

Para aplainar o caminho de seus filhos pequenos,

Cumprindo, com austera e obstinada coragem,

As ações de mesma ordem que seu pai fez por ele.

Esta é a linha que lhe escrevo em tributo:

Apenas um pai, mas o melhor dos homens.

 

Referência:

 

GUEST, Edgar Albert. Only a dad. In: ___________. Collected Verse of Edgar A. Guest. Reilly & Lee Company, 1943. p. 26.

Nenhum comentário:

Postar um comentário