Neste domingo
dedicado aos pais, trago-lhes um poema sobre o tema, no qual o poeta captura a
essência da abnegação silenciosa e do amor incondicional que um pai – a exemplo
de cada um de nossos pais – sempre busca demonstrar por sua família:
enfrentando os desafios diários com resiliência, “o melhor dos homens”, no
dizer dos versos, assume zelosamente as suas responsabilidades, postura que se
assemelha, sem maiores embargos, à de consecução da jornada arquetípica do
herói.
Para mais, há nos
versos elementos associados à ideia de continuidade e de legado, numa cadeia de
amor e de sacrifício que se transmite de geração em geração, outorgando ao seu
rol uma dignidade ancestral, ou ainda, uma nobre tradição de paternidade
consequente, pelo bem daqueles que ficam à espera da volta dos pais, do trabalho para
casa.
J.A.R. – H.C.
Edgar Albert Guest
(1881-1959)
Only a Dad
Only a dad, with a
tired face,
Coming home from the
daily race,
Bringing little of
gold or fame,
To show how well he
has played the game,
But glad in his heart
that his own rejoice
To see him come, and
to hear his voice.
Only a dad, with a
brood of four,
One of ten million
men or more.
Plodding along in the
daily strife,
Bearing the whips and
the scorns of life,
With never a whimper
of pain or hate,
For the sake of those
who at home await.
Only a dad, neither
rich nor proud,
Merely one of the
surging crowd
Toiling, striving
from day to day,
Facing whatever may
come his way,
Silent, whenever the
harsh condemn,
And bearing it all
for the love of them.
Only a dad, but he
gives his all
To smooth the way for
his children small,
Doing, with courage
stern and grim,
The deeds that his
father did for him.
This is the line that
for him I pen,
Only a dad, but the
best of men.
Família brincando com
cata-ventos
(Edward Turner:
artista britânico)
Apenas um Pai
Apenas um pai, com um
rosto cansado,
Regressando da faina
diária para casa,
Com módica paga de
ouro ou fama,
A pouco retribuir o
quão bem devotou-se à lida,
Mas feliz em seu
coração pelos seus se alegrarem
Ao vê-lo chegar e
escutar a sua voz.
Apenas um pai, com
uma prole de quatro filhos,
Um entre dez milhões
de homens ou mais.
Arrastando-se
penosamente na labuta quotidiana,
Sujeitando-se aos
açoites e aos desprezos da vida,
Jamais com um
vociferar de dor ou de ódio,
Pelo bem daqueles que
no lar o esperam.
Apenas um pai, nem
rico nem vaidoso,
Somente um em meio à
crescente multidão,
Laborando,
esforçando-se dia após dia,
Enfrentando o que
quer que se lhe apresente,
Em silêncio sempre
que os ríspidos improbam,
E tudo a suportar por
amor aos de casa.
Apenas um pai, mas
que se dedica a dar tudo de si
Para aplainar o
caminho de seus filhos pequenos,
Cumprindo, com
austera e obstinada coragem,
As ações de mesma
ordem que seu pai fez por ele.
Esta é a linha que
lhe escrevo em tributo:
Apenas um pai, mas o
melhor dos homens.
Referência:
GUEST, Edgar Albert.
Only a dad. In: ___________. Collected Verse of Edgar A. Guest. Reilly
& Lee Company, 1943. p. 26.
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