Nesta declaração metapoética,
o poeta romeno desarma o leitor desde o primeiro verso, num prólogo que se abre
como um leque de significados, delegando-lhe a responsabilidade última de
decifrar e, por meio desse processo, criar o próprio poeta, na firme convicção
de que um dado poema só se torna palavra viva quando acolhido por outra
consciência.
O poeta, sob tal
perspectiva, desmaterializa-se para logo situar-se num limbo de possibilidades,
convertendo-se em pura potencialidade linguística: sua existência, sua “vingança”
contra o nada e sua revelação ao mundo, como se disse, dependem por completo da
cumplicidade ativa de um leitor, pela via de quem espera superar o esquecimento,
a incompreensão ou a falsa identidade.
J.A.R. – H.C.
Ion Minulescu
(1881-1944)
În Loc de Prefaţă
(Extras)
N-am fost aşa precum
se spune
Şi nu sunt nici aşa
cum sunt –
Nu sunt nici foc,
Nici ploaie
Şi nici vânt!...
Nu sunt nimic din
ce-aş putea fi pe pământ...
Nu sunt decât un
strop de vorbe bune,
Ce-aştept un cititor
cinstit să mă răzbune
Şi să m-arate lumii cine
sunt!…
Fogo, vento e água
(Marion Borgelt:
artista australiana)
Em Vez de Prefácio
(Excerto)
Não fui assim, como
se diz
e não sou nem assim
como sou –
não sou nem fogo,
nem chuva
e nem vento!...
Nada sou do que
poderia ter sido sobre a terra...
Não sou mais que um
feixe de belas palavras,
que espera um leitor
honesto para me vingar
e mostrar ao mundo
quem sou eu!...
Referências:
Em Romeno
MINULESCU, Ion. În
loc de prefaţă (Extras). Disponível neste endereço. Acesso em: 19 ago. 2016.
Em Português
MINULESCU, Ion. Em
vez de prefácio (Excerto). Tradução de Julia Cârap. Poesia sempre, MinC
– FBN, Rio de Janeiro (RJ), ano 13, n. 22, p. 40, jan-mar. 2006. (Volume “Romênia”).
Disponível neste endereço. Acesso em: 22 ago.
2026.
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