O poeta
greco-canadense contrapõe à ideia de um progresso sem desvios, sempre a avançar
em linha reta, um percurso interior que se retorce e se reverte sobre si mesmo,
em “inescapáveis círculos”, evocando, dessa maneira, a natureza cíclica e
reiterativa da vida, nem sempre a fluir do modo que se julga convencional –
para a frente –, embora, seja como for, não deixe de ser bela em suas
repetições e peculiar autenticidade.
Ao reconhecer o
inalterável em si mesmo – resguardado imperturbavelmente em sua “concha”
interior, à espera de ser descoberto –, a voz poética, longe de atribuir uma
conotação fatalista puramente negativa em relação ao seu destino, interpreta-o
como um ato libertador, mediante o qual se reconhece como um acumulado de intensas
e distintivas experiências, no curso das quais parece estar num contínuo
reencontro consigo mesmo, mantida a própria essência do ser, a despeito dos
vaivéns emocionais e temporais.
J.A.R. – H.C.
George Thaniel
(1938-1991)
I do not walk the line
to some visible end,
I snake my way inside
inescapable circles.
This revelation did not come to me
with maturity.
It had always been there,
in the muted sobs
of my childhood,
the inflammations
of adolescence,
the oyster-shells of my later years.
Yes, I was born
as I still am today.
You would call this fate.
Homem numa concha
(Imagem sem créditos)
Não Progrido
Não sigo em linha
reta
rumo a algum fim
visível,
serpenteio minha
trilha no interior
de inescapáveis círculos.
Tal revelação não me
chegou
com a maturidade.
Sempre esteve ali,
nos soluços abafados
da minha infância,
nas exaltações
da adolescência,
nas conchas de ostra
dos meus últimos anos.
Sim, nasci
como ainda sou hoje.
Dir-se-ia que isso é
destino.
Referência:
THANIEL, George. I do not progress. Translated from Greek to English by Edward Phinney. In: __________. Seawave & Snowfall: selected poems (1960-1982). Toronto, CA: Amaranth Editions, 1984. p. 31.
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