Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

domingo, 26 de abril de 2026

Khalil Gibran - Sobre o Casamento

O ensaísta libanês aborda a questão do matrimônio a partir do respeito à individualidade de cada um dos cônjuges, ao nos apresentar um ponto de vista que não se alinha à ideia tradicional de fusão absoluta no amor, propondo, em vez disso, um equilíbrio entre a conexão e a liberdade, uma união que se cogita estável e duradoura, porém não asfixiante.

 

Fala-nos Gibran de um amor que se propõe maduro, no qual a intimidade não anula a identidade, a alegria compartilhada não vai de encontro à independência – sem espaço, portanto, para a possessividade. Com efeito, o verdadeiro companheirismo somente floresce quando há liberdade para crescer, confiança no vínculo e aceitação de que o amor, como o mar, é uma força dinâmica precisamente porque não se deixa domesticar.

 

J.A.R. – H.C.

 

Khalil Gibran

(1883-1931)

 

Sobre o Casamento

 

Então, Almitra [uma vidente] tornou a falar e perguntou: “E quanto ao Casamento, mestre?” E ele [Almustafa] assim respondeu:


Vocês nasceram juntos, e juntos haverão de ficar para sempre.

Estarão juntos quando as brancas asas da morte lhes dispersarem os dias.

Sim, juntos ficarão mesmo na silenciosa memória de Deus.

Mas deixem que existam espaços no fato de estarem juntos.

E permitam que os ventos dos céus dancem entre vocês.

Amem um ao outro, mas sem fazer do amor uma obrigação:

Deixem-no que seja, em vez disso, um mar em movimento entre as praias de suas almas.

Encham a taça um do outro, mas bebam apenas de uma.

Deem seu pão um ao outro, no entanto não comam da mesma forma.

Cantem, dancem juntos e se mantenham alegres, mas deixem que cada um de vocês seja independente.

Assim como são independentes as cordas de um alaúde, embora vibrem com a mesma música.

Deem o coração um ao outro, mas não a guarda um do outro.

Apenas a mão da Vida pode conter-lhes o coração.

Fiquem juntos, mas não próximos demais:

Pois os pilares do templo elevam-se distantes entre si,

E o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro.

 

O Caramanchão da Madressilva

(Peter Paul Rubens: pintor flamengo)

 

Referência:

 

GIBRAN, Khalil. Sobre o casamento. Tradução de Alda Porto. In: __________. O profeta. Tradução de Alda Porto. São Paulo, SP: Martin Claret, 2013. p. 23-24. (Coleção “A obra-prima de cada autor”; v. 165)

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