A poetisa inglesa oferece-nos
uma expressiva e poética receita para a autoaceitação radical, permitindo-nos aumentar
a capacidade de encontrar alegria e agito na vida, inclusive em nossos momentos
menos “arcos do triunfo”: diante dos golpes do destino, não fiques paralisado;
convida-os a dançar. E quando dançares até com os teus piores demônios, faze-o
com a elegância dos passos de uma valsa!
Afinal, é inevitável
que nos deparemos com reveses, fracassos e imperfeições ao longo dos anos, a
par com o que há de mais negativo, frustrante e doloroso na experiência humana,
levando-nos, por decorrência, a mal-estares e a temores que se enraízam no mais
profundo d’alma.
Por isso a sugestão
da autora para que enfrentemos galhardamente os contratempos suscitados pela
consectária insegurança, convertendo esse limão numa limonada, com o que se há
de irrigar a fonte de nossa dignidade, bem assim o horto de nossas belezas
interiores.
J.A.R. – H.C.
(n. 1968)
I beckoned to the floor
missed buses and lost races.
We body-popped till sore.
I held out my hand
to every failed exam.
We lindy-hopped. We can-canned.
I slipped my arm around the waist
of chicken, loser, nerd.
We skip-jived at a pace.
I chose the longest, dullest week
and pressed it to my chest
as we cha-cha’d cheek to cheek.
I tipped and doffed my hat
to a hundred horrid haircuts.
We mambo’d, tango’d, tapped.
Feeling bold, I turned to face
my darkest, rawest faults.
I took them in my arms, we bowed
and broke into a waltz.
A Dança
(Henri Matisse:
pintor francês)
Dançando com a Vida
Atraí para a pista
ônibus perdidos e
corridas malogradas.
Dançamos body-pop
até a exaustão. (1)
Estendi minha mão
a todas as provas
falidas.
Rodopiamos no lindy-hop,
esbanjamo-nos no cancã. (2)
Passei o braço pela
cintura
da medrosa, da
fracassada, da desajustada.
Saracoteamos num jive
enérgico e acelerado. (3)
Escolhi a semana mais
longa e tediosa
e, apertando-a ao peito,
executamos um chá-chá-chá
de faces coladas.
Curvei-me e tirei o
chapéu
a cem medonhos cortes
de cabelo.
Giramos ao som de
mambo, tango e sapateado.
Num ímpeto de
audácia, virei-me para encarar
minhas falhas mais sombrias
e cruéis.
Tomei-as nos braços, demo-nos
vênias
e folgamos ao ritmo
de uma valsa.
Notas:
(1). Body-pop:
trata-se de um estilo de dança (“popping”) caracterizado por movimentos rápidos
e bruscos criados pela contração e liberação repentinas dos músculos, seguidos
de “batidas” ou “estalos” em diferentes partes do corpo ao ritmo da música.
(2). Lindy-hop: dança
de casal, de natureza improvisada, dançada ao som de swing, jazz ou blues.
(3). Jive: dança cuja
marcha – saltitante, alegre e vibrante –, com foco na elevação de joelhos,
flexão e balanço de quadris, evolui em passos triplos e agitos básicos de vai e
vem, ao som de músicas animadas, como swing ou jazz.
Referência:
ROBERTSON, Shauna Darling. Dancing with life. In: ESIRI, Allie (Ed.). A poem for every day of the year. Illustrated by Zanna Goldhawk. 1st publ. London, EN: Macmillan Children’s Books, 2017. p. 177.
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