Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Pablo Neruda - O vento na ilha

O poeta celebra o poder do amor como refúgio diante das incertezas e das turbulências da vida, numa paixão que atua como âncora diante da inclemência do metafórico “vento”, símbolo das mudanças e das forças incontroláveis que varrem os nossos dias, convertendo-os numa voragem sob a qual se torna improvável alcançar algum momento de quietude ou de manter laços afetivos saudáveis.

 

Afinal, proteção e estabilidade parecem não ser os atributos mais frequentes com que nos deparamos ao longo de nossa jornada: então, como o enfatiza Neruda, que o amor seja bem esse arrimo capaz de nos oferecer um porto seguro, suficientemente resistente às torrentes externas, colocando-nos ao abrigo de tais avassaladoras energias – ainda que seja apenas por instantes!

 

J.A.R. – H.C.

 

Pablo Neruda

(1904-1973)

 

El viento en la isla

 

El viento es un caballo:

óyelo cómo corre

por el mar, por el cielo.

 

Quiere llevarme: escucha

cómo recorre el mundo

para llevarme lejos.

 

Escóndeme en tus brazos

por esta noche sola,

mientras la lluvia rompe

contra el mar y la tierra

su boca innumerable.

 

Escucha cómo el viento

me llama galopando

para llevarme lejos.

 

Con tu frente en mi frente,

con tu boca en mi boca,

atados nuestros cuerpos

al amor que nos quema,

deja que el viento pase

sin que pueda llevarme.

 

Deja que el viento corra

coronado de espuma,

que me llame y me busque

galopando en la sombra,

mientras yo, sumergido

bajo tus grandes ojos,

por esta noche sola

descansaré, amor mío.

 

En: “Los versos del capitán” (1952)

 

O vento na ilha

(Cristina Dalla Valentina: artista italiana)

 

O vento na ilha

 

O vento é um cavalo:

ouça-o como corre

pelo mar, pelo céu.

 

Quer me levar: escute

como atravessa o mundo

para me levar embora.

 

Esconda-me em seus braços

por esta noite apenas,

enquanto a chuva desata

a sua boca inumerável

contra o mar e a terra.

 

Escute como o vento

me chama num galope

para me levar embora.

 

Com a sua fronte em minha fronte,

com a sua boca em minha boca,

unidos nossos corpos

ao amor que nos queima,

deixe o vento passar

sem que me possa levar.

 

Deixe o vento correr

coroado de espuma,

que me chame e me procure

a galopar na sombra,

enquanto eu, submerso

sob seus grandes olhos,

por esta noite apenas,

descansarei, meu amor.

 

Em: “Os versos do capitão” (1952)

 

Referência:

 

LIMA, José Lezama. El viento en la isla. In: MIRANDA, Rocío (Ed.). 24 poetas latinoamericanos. Selección y prólogo de Francisco Serrano. 1. ed. México, D.F.: CIDCLI, 1997. p. 115. (Coedición “Latinoamericana”)

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