Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Robert Frost - Árvore à Minha Janela

Diz-nos o poeta que, em última instância, somos parte de um mesmo tecido cósmico, onde o interno e o externo, o humano e o natural, encontram-se inextricavelmente unidos: estamos todos sujeitos às mesmas forças universais, ainda que a distintiva “árvore” do título esteja “preocupada com o clima externo”, e o falante, por sua vez, inquieta-se “com o interno”, ou seja, seus pensamentos e emoções.

 

Em sua beleza e mistérios – fonte de inspiração para os artistas –, sugere o falante que a natureza, sem embargo, não se mostra capaz de expressar verdades profundas, talvez melhor, não logra oferecer respostas definitivas às perguntas, às dúvidas, às investigações humanas, sobretudo quando atinentes às nossas mais encapeladas tormentas existenciais, visto que estamos enredados numa teia de sentidos e significados, característica do nosso modo de ser.

 

J.A.R. – H.C.

 

Robert Frost

(1874-1963)

 

Tree at My Window

 

Tree at my window, window tree,

My sash is lowered when night comes on;

But let there never be curtain drawn

Between you and me.

 

Vague dream head lifted out of the ground,

And thing next most diffuse to cloud,

Not all your light tongues talking aloud

Could be profound.

 

But tree, I have seen you taken and tossed,

And if you have seen me when I slept,

You have seen me when I was taken and swept

And all but lost.

 

That day she put our heads together,

Fate had her imagination about her,

Your head so much concerned with outer,

Mine with inner, weather.

 

Árvore nodosa no outono

em frente a uma janela aberta

(Sem créditos)

 

Árvore à Minha Janela

 

Árvore à minha janela, árvore da janela,

Quando chega a noite baixa-se o caixilho,

Mas que nunca haja uma cortina fechada

Entre mim e ti.

 

Vago crânio onírico que se ergue do solo,

E coisa próxima à nuvem mais difusa,

Nem todas as tuas leves línguas falando alto

Poderiam ser profundas.

 

Mas, árvore, vi-te ser levada e sacudida,

E se me viste enquanto eu dormia,

Viste-me também ser levado e arrastado,

Quase à total perdição.

 

No dia em que o fado nos uniu os crânios,

Entrelaçou-os com ativa imaginação:

O teu tão preocupado com o clima externo,

O meu com o interno.

 

Referência:

 

FROST, Robert. Tree at my window. In: DOVE, Rita (Ed.). The penguin anthology of twentieth century american poetry. New York, NY: Penguin Books, 2013. p. 20.

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