Alpes Literários

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Subtítulo

UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Emily Dickinson - Moro na possibilidade

Nesta homenagem pessoal à arte da poesia, Dickinson, empregando metáforas arquitetônicas e naturais, fala-nos desse espaço infinito de “possibilidades”, de fluidas fronteiras, onde cada palavra pode ser uma janela voltada para novos mundos, e cada verso, um teto sob o qual alentamos os nossos mais profundos sonhos.

 

Veja-se que a poetisa estabelece um contraste entre o tangível – a prosa – e o ilimitado – a poesia, elevando o ato de redigir poemas a um nível de quase sacralidade: nessa morada de múltiplas oportunidades imaginativas, pode-se abraçar o ambíguo, o sensorial e, até mesmo o metafísico, ou mais extensivamente, toda uma panóplia de ideias capazes de nos levar – o poeta e a sua audiência – a haurir o que há de mais sublime no “Paraíso”.

 

A.R. – H.C.

 

Emily Dickinson

(1830-1886)

 

I dwell in Possibility

 

I dwell in Possibility –

A fairer House than Prose –

More numerous of Windows –

Superior – for Doors –

 

Of Chambers as the Cedars –

Impregnable of eye –

And for an everlasting Roof

The Gambrels of the Sky –

 

Of Visitors – the fairest –

For Occupation – This –

The spreading wide my narrow Hands

To gather Paradise –

 

Casa com janelas vermelhas

(Shelly Du: pintora australiana)

 

Moro na possibilidade

 

Moro na possibilidade,

Casa mais bela que a prosa,

Com muito mais janelas

E bem melhor, pelas portas

 

De aposentos inacessíveis,

Como são, para o olhar, os cedros,

E tendo por forro perene

Os telhados do céu.

 

Visitantes, só os melhores;

Por ocupação, só isto:

Abrir amplamente minhas mãos estreitas

Para agarrar o paraíso.

 

Referência:

 

DICKINSON, Emily. I dwell in possibility / Moro na possibilidade. Tradução de Ivo Bender. In: __________. Poemas escolhidos. Seleção, tradução e introdução de Ivo Bender. Porto Alegre, RS: L&PM, 2011. Em inglês: p. 44 e 46; em português: 45 e 47. (Coleção “L&PM Pocket”; v. 436)

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