Eis aqui um exemplo
típico do imagismo empregado por Williams em boa parte de sua obra poética: um
pedaço de papel pardo amarrotado, depois de achatado contra o asfalto por um
automóvel, segue o seu curso “rolando ao vento”, indiferente ao que se lhe sucedeu
– distintamente do que se passaria, caso fosse um ser humano que viesse a ser atingido
por um veículo.
Ou seja: um material
descartado e sem vida orgânica, por mero atributo físico, possui uma capacidade
de recuperação superior à do corpo de uma pessoa, o que outorga ênfase à ironia
trágica da condição humana, sua fragilidade, sua vulnerabilidade, sua limitada capacidade de recuperação quando exposta à desmesurada mecânica do
mundo.
J.A.R. – H.C.
William Carlos
Williams
(1883-1963)
A rumpled sheet
Of brown paper
About the length
And apparent bulk
Of a man was
Rolling with the
Wind slowly over
And over in
The street as
A car drove down
Upon it and
Crushed it to
The ground. Unlike
A man it rose
Again rolling
With the wind over
And over to be as
It was before.
In: “Poems:
1936-1939”
O Fim
Um pedaço amarrotado
de papel pardo
mais ou menos do
tamanho
de um homem ia
rolando no
vento lentamente
sem cessar
pela rua quando
um carro passou
por cima dele e
achatou-o contra
o chão. Diferente
de um homem ele
se ergueu de
novo rolando
no vento sem cessar
como fazia antes.
Em: “Poemas:
1936-1939”
Referências:
Em Inglês
WILLIAMS, William
Carlos. The term. In: __________. The collected poems of William Carlos
Williams. Volume II: 1939-1962. Edited by Christopher MacGowan. 7th print.
New York, NY: New Directions, 2001. p. 451.
Em Português
WILLIAMS, William
Carlos. O fim. Tradução de Ferreira Gullar. In: GULLAR, Ferreira (Org.). O
prazer do poema: uma antologia pessoal. Rio de Janeiro, RJ: Edições de
Janeiro, 2014. p. 133.
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